Brasília ? O Brasil será palco da retomada do debate sobre reforma agrária nas Nações Unidas. A partir do próximo final de semana, Porto Alegre inicia as discussões preparatórias para a 2ª Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural, coordenada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Desde 1979, a comunidade internacional na ONU não fazia uma conferência sobre o tema. Ao mesmo tempo, no Brasil, a sociedade civil e os movimentos sociais organizam eventos paralelos para reivindicar mudanças e o aprofundamento da política de reforma agrária do governo federal.

Segundo o coordenador de Ações Internacionais de Combate à Fome da Secretaria-Geral do Ministério das Relações Exteriores, Milton Rondó Filho, a retomada dos debates sobre o tema precisa ser ser entendido como uma nova fase após duas décadas de neoliberalismo como opção adotada em várias partes do mundo.

"Esse é um tema muito atual para vários países, em todo o Sul do mundo e talvez até em alguns países do Norte. Porque a concentração de renda que houve no mundo nas últimas duas décadas, em que o neoliberalismo reinou, a gente vai verificar que isso teve um efeito muito negativo na terra, no meio rural", afirmou Rondó em entrevista à Agência Brasil. O diplomata também integra a delegação oficial que participa da conferência em Porto Alegre.

A última conferência sobre o tema foi realizada em Roma, na Itália. Os compromissos assumidos internacionalmente há 27 anos foram reunidos documento final do encontro, chamado de "Carta do Campesino", mas a maioria das metas estabelecidas também não foram cumpridas. Entre os assuntos do novo encontro, políticas de acesso à terra e à água, à soberania alimentar, à capacitação rural e à revitalização das comunidades rurais.

Segundo o MDA, os 193 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) foram convidados para a conferência e a estimativa é que cerca de 1.500 delegados, representantes de mais de 150 países, compareçam ao evento. O Brasil formou uma delegação oficial de 25 membros, entre representantes do governo federal, da sociedade civil e dos movimentos sociais.