O computador do qual foi retirado o extrato da conta do caseiro Francenildo dos Santos Costa – principal prova do crime de violação – sumiu da sede da Caixa Econômica Federal (CEF) em Brasília, o que irritou a Polícia Federal. Apesar da notícia de que a máquina reapareceu em São Paulo, a PF quer saber quem retirou a prova do local do crime, por que retirou e se o equipamento foi violado. Diante das dificuldades, a PF vai intimar novamente o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, que faltou à primeira convocação, anteontem. Se ele não aparecer de novo, pode ser trazido sob coação.

O delegado Rodrigo Carneiro Gomes, titular do inquérito, demonstrou inquietação com a pouca colaboração e disse, em comunicado transmitido pela assessoria, que não aceitará manobras para proteger eventuais dirigentes da Caixa envolvidos no episódio. "A polícia não compactua com a tentativa de transferir responsabilidades exclusivamente a pessoas de menor importância na cadeia de comando e que, portanto, não possui o poder decisório", avisou.

Num dia de muito tumulto e nenhum avanço nas investigações, um dos dois autores da quebra ilegal do sigilo do caseiro também desapareceu da cidade e o outro, embora intimado, não apareceu para depôr. Por não ter certeza da culpa, a PF recuou ontem da decisão de divulgar os nomes dos dois principais suspeitos pela violação ilegal do sigilo bancário do caseiro. A precaução foi adotada, conforme explicou a assessoria da PF, para preservar o direito constitucional à intimidade, ao contraditório e à ampla defesa.

Em meio ao emaranhado de dúvidas, chegou hoje à PF a versão de que a sindicância da Caixa já chegou ao nome do dirigente, ocupante de um alto posto na instituição, que determinou aos dois subordinados a retirada dos extratos da conta de poupança do caseiro. O gesto pode custar ao dirigente processo por vários crimes, além da demissão a bem do serviço público se ele for do quadro. A PF acha que há outras pessoas do governo envolvidos, dentro e fora da Caixa e quer levantar toda a rede de conivência.

Hoje de manhã, o delegado tomou o depoimento do gerente de Segurança de Informação da Caixa, Delfino Natal de Souza, por mais de cinco horas. Souza esteve acompanhado do presidente da Comissão de Sindicância que apura o caso na Caixa, Marco César Cazali e dos advogados Jailton Zanon da Silveira e Elton Nobre de Oliveira.

Por meio dos advogados, Mattoso tentou cancelar a segunda intimação, alegando que os esclarecimentos prestados por eles e pelos demais diretores já ouvidos seria suficiente. Mas a PF não aceitou a explicação e insistiu em marcar nova data para o depoimento na próxima semana.

A demora da Caixa em entregar e a da PF em concluir a identificação dos culpados pela quebra ilegal de sigilo da conta do caseiro está irritando o Congresso Nacional e particularmente a CPI dos bingos, que enviou ofício hoje ao delegado cobrando explicações. Carneiro prendeu-se a um detalhe técnico – o ofício era assinado pelo secretário administrativo da comissão e não pelo seu presidente – para não fornecer os dados pedidos.