Sem que tenha conseguido votar o relatório, foi encerrada a comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha a crise no setor aéreo. O relator da Comissão, deputado Carlos Willian (PTC-MG), chegou a apresentar seu relatório na reunião de hoje, porém, não chegou a ser votado por causa de um pedido de vista do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). "Lamentei profundamente o ocorrido. Esta comissão está terminada porque estamos em final de Legislatura", afirmou o deputado Alceu Collares (PDT-RS), presidente da Comissão. Collares levantou a possibilidade de na próxima Legislatura ser criada uma nova comissão que poderia aproveitar o trabalho desta.

Segundo Alceu Collares, eram necessárias mais duas sessões para ser avaliado o relatório, mas não há prazo. "Terminamos melancolicamente", comentou. Alceu Collares defendeu a desmilitarização do controle de tráfego aéreo lembrando que em nenhum país do mundo esse setor é controlado pelos militares. Para ele, deveria haver uma comissão permanente para acompanhar o setor aéreo.

Já o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) informou que pedirá ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) a criação, durante o recesso parlamentar, de uma comissão especial para acompanhar o setor aéreo. A sessão de hoje foi bastante agitada. O deputado Luiz Carlos Hauly chegou a pedir a instalação de estado de emergência ou defesa, previsto na constituição, por causa da iminência da calamidade que vive o País no setor aéreo.

O relator Carlos Willian responsabilizou o Ministério da Defesa pelos problemas do setor aéreo. Ele argumentou que o comando não soube planejar e controlar a administração de pessoal e de equipamentos e deixou que "a crise se arrastasse durante os últimos anos".