Com um aporte de R$ 20 milhões, o fundo de investimentos Latin American Equity Partners (Laep) se transformou ontem no acionista controlador da Parmalat Alimentos, com 98,5% das ações. Como parte do acordo, a Perdigão adquiriu, por R$ 101 milhões, a participação de 51% que a Parmalat detinha na Batávia dona da marca Batavo. As operações foram aprovadas ontem durante assembléia de credores e contou com 100% dos votos.

A aprovação dos novos investidores marca o fim da crise da Parmalat no Brasil, iniciada na Itália em dezembro de 2003 com o escândalo financeiro envolvendo o fundador da empresa, Calisto Tanzi, responsável por um rombo de mais de 10 bilhões de euros.

Os credores financeiros sem garantias, cerca de 20 bancos estrangeiros, concordaram com um deságio de mais de 80% em seus créditos, em troca de um pagamento à vista. Eles receberam ontem R$ 19 milhões e, quando a venda da Batávia for homologada pela Justiça, o que está previsto para acontecer até o início de junho, receberão mais R$ 101 milhões.

A empresa deve outros R$ 120 milhões para fornecedores e R$ 50 milhões para o Banco do Brasil. Com isso, a dívida total caiu de R$ 970 milhões para R$ 170 milhões. Como estava previsto no plano de recuperação judicial aprovado em dezembro, a dívida com o BB será quitada num prazo de três a seis anos. Os fornecedores têm a opção de receber de uma vez, com o mesmo deságio dos bancos, ou receber o valor integral ao longo de quatro anos.