A atividade industrial passou por um período de "acomodação" no mês de julho, com quedas de 0,33% nas vendas e de 0,51% na capacidade instalada. Em sentido contrário, porém, a massa de salários no setor cresceu 1,29% no mês.

Os dados foram divulgados, nesta terça-feira, pelo coordenador da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco.

Ele ressaltou que "a acomodação é natural depois de período de crescimento mais expressivo", como foi o segundo trimestre deste ano. Quanto à expansão da massa salarial, Castelo Branco explicou que esse segmento está tendo crescimento lento e gradual, mas contínuo, desde o início de 2003 e, de lá para cá, a queda da inflação elevou o poder de compra dos salários em torno de 20%.

Os números estão no informativo da CNI sobre Indicadores Industriais e mostram que a indústria trabalhou em julho com 81,9% de utilização da capacidade instalada ? menor que a média de 82,2% no primeiro semestre do ano e mais abaixo ainda da utilização de 83,6% no mesmo mês do ano passado. Tem folga, portanto, para atender a demanda por produção, caso necessário, para os estoques de fim-de-ano, acrescentou.

Apesar dessa retração na utilização da capacidade instalada, o economista da CNI disse que o número de horas trabalhadas na produção se expandiu 2,78% no mês e, no acumulado do ano, a expansão chega a 6,44%. Para ele, isso é indício de que houve significativa "maturação" de investimentos no parque produtivo ao longo deste ano, com absorção de bens de capital para modernização fabril.

Sobre a queda das vendas na indústria, Castelo Branco afirmou que a constatação "não altera a trajetória de crescimento gradual", uma vez que o faturamento real e as horas trabalhadas na produção tiveram variações semelhantes nos últimos três meses, e isso sugere estabilidade do nível de estoques.

Ele enfatizou, contudo, que o faturamento real da indústria tem crescido menos, comparativamente, em razão da valorização de 22% que o real teve frente ao dólar norte-americano nos últimos 12 meses. "Com a perda do poder de compra do dólar, o faturamento dos exportadores em reais diminuiu, ou pelo menos não acompanhou o aumento da produção", explicou.

Outro aspecto negativo apontado pelo economista da CNI foi a desaceleração do ritmo de oferta de empregos industriais. De janeiro a maio último o setor ofereceu mais empregos do que o demitiu, mas houve reversão de 0,03% em junho, e de 0,16% em julho, o que se constitui no pior resultado do mercado de trabalho em 18 meses.

A perda do ritmo de contratações reflete o arrefecimento da atividade industrial, em função do aperto monetário, de acordo com Castelo Branco. Ainda assim, a expansão do emprego industrial em 2005 apresenta variação positiva de 3,94%, comparado ao período janeiro-julho de 2004, e o crescimento líquido de novas vagas de trabalho nos últimos 12 meses sobe para 5,94%.