Câncer

Pesquisador paranaense ganha “Oscar Alemão” por terapia que “enferruja” e mata tumores agressivos

Estudo está em fase de testes em animais. Foto: Andreas Heddergott / Universidade Técnica de Munique.

O pesquisador José Pedro Friedmann Angeli, de 43 anos, recebeu neste mês o Prêmio Alemão do Câncer 2026 por um estudo que pode abrir caminho para novos tratamentos contra tumores resistentes aos medicamentos atuais. Ele é formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Oeste do Paraná, e atualmente é professor da Universidade de Würzburg, na Alemanha.

A organização premiou o estudo na categoria de pesquisa experimental. Em parceria com Marcus Conrad, diretor do Instituto de Metabolismo e Morte Celular do Centro Helmholtz Munich, Friedmann recebeu o reconhecimento pelas descobertas sobre um processo chamado ferroptose, um tipo de morte celular que pode ajudar no combate ao câncer.

A ferroptose acontece quando o ferro presente nas células provoca um processo de oxidação que danifica suas membranas até levá-las à destruição. É um mecanismo natural do organismo, mas a ciência pode estimulá-lo para eliminar células tumorais.

Esse processo se assemelha ao que ocorre quando alimentos ricos em gordura, como manteiga ou queijo, ficam expostos ao ar por muito tempo e começam a oxidar, alterando a cor, o sabor e o cheiro. Nas células, ocorre algo semelhante: quando essa oxidação foge do controle e o organismo não consegue reparar os danos, a célula acaba morrendo.

Com base nessas descobertas, os pesquisadores desenvolveram substâncias capazes de estimular esse mecanismo de forma controlada para atacar células cancerígenas. Os primeiros testes em animais mostraram que os compostos conseguiram reduzir o crescimento de tumores e dificultar a formação de metástases, etapa em que o câncer se espalha para outros órgãos.

Segundo os pesquisadores, a estratégia é especialmente promissora para tumores mais agressivos e que deixam de responder aos tratamentos convencionais. Ao entender melhor como a ferroptose acontece e quais mecanismos impedem ou favorecem esse processo. A partir disso, a ciência poderá desenvolver terapias mais eficazes contra cânceres que hoje apresentam poucas opções de tratamento.

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