Não vai fazer bem à egolatria de uns e outros luminares da pátria amada, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou definitivamente ao Olimpo. Na visita de três dias a Londres, o casal presidencial ficou hospedado na Suíte Belga do Palácio de Buckingham.

Nesse aposento, assim denominado por ter sido decorado para receber o rei Leopoldo, da Bélgica, dormiram entre outros os presidentes George W. Bush e Vladimir Putin.

Recebido pela rainha Elizabeth II e pelo primeiro-ministro Tony Blair, além de altas autoridades inglesas, o presidente colocou como item principal da agenda londrina a abertura de negociações em torno do ?produto? Brasil. Ou seja, pretende incrementar o comércio bilateral com a Inglaterra, meio devagar nos últimos tempos, mas com primazia para as exportações.

Repetindo o gesto de Evo Morales, o presidente boliviano recebido por chefes de governo europeus trajando colorido blusão de alpaca andina, Lula não quis se arriscar vestindo o traje de gala protocolar para o almoço com a rainha, ao qual chegou levado por uma carruagem real. Preferiu o prosaico paletó e gravata e não fez feio.

O antigo retirante nordestino e ex-torneiro mecânico do ABC paulista, que após vinte anos de caminhada tornou-se presidente do Brasil com 53 milhões de votos, na quarta tentativa, é hoje um cidadão do mundo.

Muitos torcem o nariz ao avaliar o desempenho de Lula no plano da política externa, um dos êxitos de seu governo. Lá está ele, porém, em contato freqüente com os governantes dos maiores países do mundo, por quem é ouvido de igual para igual.

Mesmo sem obter resultados satisfatórios na desmontagem da estrutura de concentração da riqueza, diminuindo o desequilíbrio social, o Brasil está a caminho de tornar-se potência econômica em futuro breve. Por isso, Lula é um interlocutor requisitado pelo Primeiro Mundo.