O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, convidou os colegas Rafael Correa, do Equador, e Evo Morales, da Bolívia, para participar do ato anti-Bush que prepara em Buenos Aires, com o apoio do argentino Néstor Kirchner. Chávez quer mostrar sua influência na região e disputar a atenção com o presidente norte-americano George W. Bush, durante sua visita aos países latino-americanos. Quando Bush colocar os pés no outro lado do Rio de La Plata, onde se reunirá com o presidente uruguaio Tabaré Vázquez, Chávez estará em um estádio de futebol portenho em um ato massivo, amparado pelos "piqueteiros" (desempregados que recebem subsídios do governo argentino).

Também apóiam o protesto de Chávez alguns organismos de direitos humanos, como as Mães da Praça de Maio. Os detalhes do show de Chávez foram fechados nas últimas horas para que o venezuelano brilhe em um de seus papéis preferidos: o de inimigo público de Bush na América Latina. Na sexta-feira, a partir das 18 horas, Chávez estará exercendo sua retórica antiimperialista para uma platéia estimada entre 30 e 40 mil pessoas, como calcula Luis Delía, um líder piqueteiro com estreito relacionamento com Chávez.

As Embaixadas do Equador e da Bolívia não confirmaram a presença de Correa e Morales, mas os organizadores do evento garantem que eles foram convidados. Kirchner, por sua vez, limita-se a apoiar o "amigo Chávez", mas sem presenciar o ato. Essa será a segunda vez que Kirchner permite a Chávez realizar protestos massivos contra Bush. O primeiro foi em Mar del Plata, durante visita de Bush para participar da Cúpula das Américas, em novembro de 2005 quando o venezuelano organizou uma passeata e a "anti-cúpula". O segundo foi em Córdoba, no ano passado, por ocasião da reunião de cúpula do Mercosul, quando Chávez encabeçou um ato paralelo à cúpula do Mercosul com o líder cubano Fidel Castro.

Nas duas oportunidades, a Casa Rosada "emprestou" todo o apoio logístico aos eventos, mas Kirchner evitou mostrar-se em ambos os atos. Fontes da organização do ato revelaram que Chávez desembarcará em Buenos Aires com cerca de 300 militares do exército bolivariano, responsáveis por sua segurança. Chávez chegará a Buenos Aires na quinta-feira e na sexta de manhã assinará acordos com Kirchner.