Seis policiais militares podem ter sido responsáveis pela chacina na Baixada Fluminense, no último dia 31. O chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Álvaro Lins, afirma que as investigações apontam que os tiros podem ter sido dados por quatro soldados, mas dois outros policiais militares podem ter participado da matança. O delegado voltou a afirmar que não há indícios de participação de policiais militares do alto escalão.

Sete soldados e um cabo da Polícia Militar estão cumprindo prisão temporária. Outros quatro estão detidos administrativamente nos batalhões onde servem. Segundo Álvaro Lins, ainda hoje será pedida à Justiça a prisão temporária de dois deles: os soldados Walter Tenório e Marcelo Barbosa de Oliveira. Se a prisão temporária não for pedida, os policiais só podem ser retidos durante 24 horas. Os dois policiais foram reconhecidos por testemunhas, sendo que Walter teria pedido a um dos sobreviventes da chacina para não testemunhar.

O chefe da Polícia Civil do Rio prestou esclarecimentos sobre as investigações da chacina à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do estado. Hoje pela manhã, o Hospital da Posse em Nova Iguaçu informou a morte de Kênia Modesto Dias, de 27 anos. Com isso, sobe para 30 o número de mortes no massacre da Baixada Fluminense

Mais de 25 pessoas prestaram depoimentos sobre a chacina até a última sexta-feira e, de acordo com Lins, já foi concluída a perícia em todos os corpos das vítimas. Uma única vítima recebeu 13 tiros. "Isso representa, primeiro um ódio, uma vontade cega de matar e a destreza dos atiradores, porque as vítimas tinham tiros na cabeça, pescoço e tórax, sempre regiões vitais e que mostram a intenção de matar", acrescentou o delegado.

Já o laudo técnico deve demorar mais algum tempo para ser concluído, pois todas as provas têm que ser confrontadas com as impressões digitais dos suspeitos.

Lins voltou a afirmar que a principal linha de investigação é a insatisfação dos policiais militares com a disciplina imposta pela Polícia Militar na Baixada, mas que não está descartada a possibilidade da chacina ter sido resultado de uma disputa de poder entre grupos de extermínio que atuam na região. "Esse que praticou a chacina pretendia com isso se impor e se tornar absoluto naquela região", disse o delegado, acrescentando que já foi constatado que alguns dos policiais presos estiveram envolvidos em outros confrontos e usaram o auto de resistência para justificar as mortes.

"Acreditamos já ter desenhado o que aconteceu e quem participou, mas vamos continuar trabalhando e usar todo o prazo que a lei nos permite para fechar as provas que são muito difíceis. São milhares de exames de balística, de confronto de digitais, mas nós vamos, na medida do possível, encerrar o caso o mais rápido que puder ou até o dia 30 de abril, que é o prazo legal."