Brasília – A Controladoria Geral da União (CGU) divulgou um levantamento das prefeituras e das emendas parlamentares que originaram os convênios com a empresa Planam, uma das acusados de superfaturar a compra de ambulâncias com recursos públicos. Foram analisados 3.048 convênios entre os anos de 2000 e 2004, dos quais 891 têm a participação da empresa, cujos donos foram presos pela Operação Sanguessuga, da Polícia Federal.

O levantamento foi feito em parceria com o Ministério da Saúde, que recolheu em todos os estados do país as prestações de contas dos convênios já executados e que envolviam ambulâncias. A partir daí, os auditores cruzaram dados para registrar as emendas parlamentares que originaram os recursos públicos. Com isso foi possível indicar prefeituras, deputados, senadores e ex-parlamentares suspeitos de envolvimento com as fraudes. Vários deles, inclusive, não estão sendo investigados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas.

Segundo o cruzamento da CGU, dos 3.048 convênios analisados, apenas 291 não tiveram origem em emendas parlamentares, ou seja, podem ter sido alocados pelo poder Executivo. O restante teve origem no Congresso, dentro do processo de elaboração do Orçamento Geral da União. Mas apenas 891 têm ligação com a empresa investigada. ?Não podemos afirmar que, em todos os 891 casos, há irregularidade, mas há presença de empresas do grupo Planam. Isso é um indício fortíssimo de fraude, mas não temos provas documentais?, diz o ministro da Controladoria Geral da União, Jorge Hage.

Segundo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que também participou da entrevista coletiva, disse que o esquema de fraudes com recursos do Orçamento Geral da Unão existe provavelmente desde 1998. A maior parte dos convênios da Planam analisados corresponde aos anos de 2001, com 961, e 2002, com 615. Desde 2000, a Planam movimentou R$ 78,9 milhões somente com convênios para ambulâncias.