A cesta básica de Curitiba registrou deflação de 1,71% em fevereiro, recuando de R$ 160,56 para R$ 157,82. A variação negativa foi determinada pelo preço do tomate, que baixou 27,04% depois de ter subido 29,27% em janeiro – quando o custo da alimentação básica fechou em 0,86%. Com a variação negativa do mês passado, Curitiba é a única capital a registrar queda no primeiro bimestre de 2004 (de -0,86%), entre as 16 pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos). Desde 97, a capital paranaense não apresentava redução nos preços da cesta no primeiro bimestre. No ano passado, a cesta encareceu 3,98% nos dois primeiros meses.

Em fevereiro, onze das dezesseis capitais pesquisadas apresentaram queda na cesta básica, revertendo o desempenho de janeiro, quando todas as cidades pesquisadas tiveram alta. Mesmo com a quinta maior queda, Curitiba permaneceu com a quinta cesta mais cara do País, atrás de Porto Alegre (R$ 169,32), São Paulo (R$ 167,00), Brasília (R$ 164,77) e Rio de Janeiro (R$ 161,91). A mais barata foi a de Fortaleza (R$ 139,17). A maior variação percentual ocorreu em Recife (2,87%) e a menor, no Rio de Janeiro (-2,98%).

O decréscimo no custo da alimentação em Curitiba em fevereiro surpreendeu os técnicos do Dieese. “A alta expressiva prevista para a carne não ocorreu. Além disso, a queda do tomate foi mais acentuada do que se esperava”, comentou o economista Sandro Silva. O quilo do tomate, que custava R$ 1,23 em dezembro, recuou para R$ 1,16 no último mês. “Se o preço do tomate tivesse ficado estável, a cesta básica de Curitiba teria um aumento de 0,69%”, destacou Silva.

Segundo ele, a queda do preço do tomate foi provocada em função da normalização da oferta do produto, com o início da safra do tomate de risco, cultivado na Região Metropolitana de Curitiba. “A tendência é o preço ficar estável, se o clima ajudar”, ressaltou o economista do Dieese. Outra queda expressiva foi verificada no açúcar (-20%), em função do aumento da produção. “No ano passado, a produção brasileira cresceu 25% e a do Paraná, 36%”, citou Silva. Também com queda aparecem: farinha de trigo (-4,37%), leite (-3,48%), feijão (-2,71%), pão (-0,49%) e manteiga (-0,22%). O preço do óleo de soja ficou inalterado.

A batata teve o maior aumento da cesta curitibana (20,83%), afetada pela seca nas regiões produtoras e período de entressafra. A segunda maior alta veio do café (5,02%). “Com a redução da safra mundial e a cotação internacional em alta, está havendo um grande comprometimento da produção brasileira para exportação”, explicou o técnico do Dieese. Ainda com elevação de preços, ficaram: carne (2,38%), banana (1,10%) e arroz (0,47%).

Para março, Silva estima que a variação da cesta fique próxima de zero. “Em maio e junho, provavelmente haverá deflação por causa da safra. Mas o resultado deste mês vai depender muito do comportamento da carne e da batata”.

Nos últimos doze meses, a cesta básica curitibana caiu 0,27%. O arroz teve o maior aumento do período (35,22%), seguido por banana (23,49%) e café (18,29%). Apresentaram as maiores quedas: batata (-45,96%), açúcar (-37,14%) e farinha de trigo (-19,14%).

Salário

Em fevereiro, a cesta básica de Curitiba consumiu 65,76% do salário mínimo bruto de um trabalhador. Para uma família de quatro pessoas, o dispêndio com alimentação básica foi de R$ 473,46, ou seja, 1,97 salário mínimo. Pelos cálculos do Dieese, o salário mínimo necessário para atender as necessidades vitais básicas de uma família (moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social) seria de R$ 1.422,46. Este valor é levantado conforme a definição constitucional do salário mínimo.