A possibilidade de falha de comunicação entre os controladores de vôo da torre de São José dos Campos (SP), de onde o Legacy partiu às 14h30 do dia 29 de setembro, e o piloto do jato, Joseph Lepore, que poderiam não ter sido absolutamente claros nos comandos dados quando o avião norte-americano decolava, também será objeto de apuração das causas do choque com o Boeing da Gol, pelo Cenipa – Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. O ministro da Defesa, Waldir Pires, lembrou que todas as conversas entre torre e piloto estão gravadas, que tudo está sendo investigado e que, em hipótese alguma o piloto poderia deixar de cumprir o plano de vôo por qualquer tipo de suposição.
"O controlador de vôo (da torre de São José) estava dando a ele (piloto do Legacy) explicações sobre o período em que ele estava saindo de São José dos Campos até chegar ao nível em que deveria fazer a alteração, no ponto Teres, que é um ponto universal da aeronáutica do mundo inteiro, da aviação civil do mundo inteiro" disse o ministro, ao explicar que "nada justifica" o piloto do Legacy não ter cumprido o plano de vôo pré-estabelecido.
"É lamentável, mas evidentemente que o plano de vôo existe para ser obedecido e não justifica não respeitá-lo porque são milhares e milhares de vôos e todos seguem seus planos. Não há uma espécie de pedagogia de um sistema de controle sobre as regras que são do conhecimento de todos que são habilitados a dirigir um avião", desabafou o ministro, insistindo que "está tudo escrito no plano de vôo" e "está tudo gravado". E avisou: "nós vamos ter estas coisas muito claras quando chegarmos ao dados finais da investigação que está sendo realizada".
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (10), o piloto do Legacy poderia ter sido induzido a um erro, mantendo a altura de 37 mil pés durante todo o trajeto, por causa da conversa mantida com o controlador, na hora que saía de São José dos Campos. Antes de decolar, o piloto é obrigado a ter uma autorização expressa da torre de controle. Neste contato com o avião que vai decolar, os controladores avisam o código que ele vai incluir no transponder para sua identificação, a freqüência de rádio que estará disponível para os contatos, a pista de decolagem e a altitude do vôo. O questionamento que surgiu agora é que, neste contato com o Legacy, o controlador da torre de São José teria dito que a viagem deveria ser feita a 37 mil pés e não teria esclarecido que, em Brasília, deveria descer para 36 mil e no ponto Teres subir para 38 mil até Manaus. Este procedimento, que é uma espécie de resumo do plano de vôo, batizado de "clearance", poderia ter levado o piloto do Legacy a interpretar que a altitude seria a mesma até Manaus.


