O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rebateu há pouco as avaliações que o Mercosul vive uma crise. "Existe uma verdadeira fila de países interessados em negociar conosco", disse. "Apenas nós é que padecemos desse instinto de autoflagelação." Ele fez uma analogia com o poema de Carlos Drummond de Andrade, dizendo que às vezes ficamos preocupados com a pedra no meio do caminho, mas que é preciso, como o poeta, "ver o horizonte além das pedras."

Ele adiantou que a reunião de presidentes, que se realizará na próxima sexta-feira em Ouro Preto (MG), "não vai revolucionar o Mercosul". Ele admitiu que o bloco enfrenta problemas decorrentes da velocidade com que vem se consolidando.

"Não tenho notícia de bloco de integração que tenha avançado tão rápido, com a velocidade do Concorde". No entanto, admitiu, "as turbinas não estavam preparadas para viajar a uma velocidade duas vezes a do som". Esses problemas, acredita o ministro, devem ser contornados com inteligência, de forma a permitir que o processo continue avançando.