O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, elogiou o trabalho da força
brasileira de paz que integra a missão da Organização das Nações Unidas (ONU)
para a estabilização do Haiti e disse que o Brasil não está naquele país como
força policial do governo provisório. "Estamos lá como uma força de
estabilização para ajudar no diálogo entre todas as forças políticas", disse, em
Fort Lauderdale, na Flórida, ao responder às críticas feitas pela imprensa
americana à atuação do Brasil no Haiti. Amorim participa da 35ª Assembléia Geral
da Organização dos Estados Americanos (OEA).
O Brasil, ao liderar a
missão da ONU naquele país, disse Amorim, vem se mostrando capaz de combinar
firmeza e diálogo. "As críticas, ao meu ver, não procedem. Sempre soubemos que a
situação no Haiti é uma situação difícil, mas sabemos também que, quando se fala
na possibilidade de as forças brasileiras saírem da missão, isso é causa de
grande preocupação".
Questionado sobre a necessidade de ampliar a atuação
dos militares naquele país, Amorim respondeu: "Eu acho que se houvesse uma
presença maior da comunidade internacional, certamente o trabalho seria mais
positivo".
Durante a abertura da Assembléia da OEA, no domingo (5),
autoridades destacaram a importância da ajuda internacional para a estabilização
haitiana. O secretário-geral da OEA, o chileno Miguel Insulza, afirmou, em seu
discurso, que a instituição está "plenamente" envolvida com o Haiti e que ajudar
o país a fortalecer a sua democracia é um compromisso da organização.
O
Haiti é o país mais pobre da América Central e vive instabilidades políticas
desde sua independência, em 1804. Em fevereiro do ano passado, o então
presidente Jean-Bertrand Aristide deixou o país e asilou-se na África do Sul. O
presidente da Suprema Corte, Bonifácio Alexandre, assumiu a presidência,
interinamente.
Nesse período, a ONU foi convocada para apoiar a transição
política e manter a segurança interna. Para isso, foi formada a Minustah que
assumiu em 1º de junho de 2004. Além do Brasil, Argentina, Benin, Bolívia,
Canadá, Chade, Chile, Croácia, França, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru,
Portugal, Turquia e Uruguai compõem a missão.


