Decorridos quase seis meses do governo Lula, muito se tem falado, pouco se tem feito. Cobrar ação dos ministros é papel do presidente, mas a população tem pressa. O desemprego aumenta e paliativos como o “Fome Zero” não resolvem. O governo anterior em oito anos não conseguiu resolver os problemas mais críticos do País. Lula assumiu uma situação que jamais imaginou que estivesse como está – tem mostrado boa vontade, mas ele mesmo está percebendo que não é tão simples assim. A questão das reformas que causa polêmica é como um tabuleiro de xadrez, só não se sabe quem dará o xeque-mate. Todas têm prioridade e são de extrema importância para o desenvolvimento do País; a reforma da Previdência é talvez, a mais problemática porque traz vícios antigos e afeta direitos dos trabalhadores, conquistados no governo Getúlio Vargas. Acredito que deveria ser discutida após uma reavaliação do aumento do desemprego que afeta a economia brasileira, mesmo porque o governo, para mudar as regras da Previdência, está tomando como parâmetro sistemas previdenciários de outros países, tomando como exemplo os europeus, onde as pessoas se aposentam apenas por idade. Esquecem os nossos governantes que o sistema previdenciário da maioria desses países privilegia o trabalhador no seu período de férias, quando pode aproveitá-las como forma de efetivo lazer junto de sua família, e quando se aposenta, tem toda assistência médica necessária sem precisar esperar muito tempo em filas para ser atendido, ao contrário do que ocorre por aqui. Além disso, é preciso melhorar o sistema de fiscalização da verba arrecadada pois são inúmeras as empresas inadimplentes e do dinheiro arrecadado com a CPMF, cuja finalidade é atender a área de saúde até agora ninguém prestou contas. Prejudicar ainda mais os trabalhadores somente para cobrir furos é inconcebível. A reforma previdenciária é sim, necessária para corrigir distorções observadas no pagamento de pensões e aposentadorias miliardárias da administração pública em comparação com o trabalhador de empresa privada que recebe, no máximo, até dez salários mínimos e na maioria das vezes chega a gastar mensalmente uma média de 30% só em remédios.
A reforma tributária, dentre todas deveria ser a primeira. O excesso de impostos e tarifas cobrados faz com que as pequenas e médias empresas demitam funcionários para fazer economia e muitas acabam indo à falência. O imposto único ou a redução do número de tarifas proporcionaria maiores investimentos na pequena agricultura, por exemplo, o que certamente abriria oportunidades de emprego e desenvolvimento dos pequenos municípios.e coibiria a sonegação fiscal. Para um governo tido como popular, parece que muitas medidas estão sendo tomadas de acordo com o que determinam os interesses econômicos do FMI. O controle da inflação é necessário, mas a que custo, se o desemprego e em conseqüência a criminalidade aumentam? Não adianta construir presídios, cobrar ação das polícias se não houver investimento mais objetivo no social. É o que se tem esperado até agora. O povo confia que o presidente Lula cumprirá suas promessas de campanha. É esperar para ver.