Ceará terá primeira usina de energia elétrica movida a ondas do mar nas Américas

A partir de outubro, a primeira usina de produção de energia elétrica a partir
de ondas do mar no continente americano começará a funcionar em fase de testes
no Ceará. Dois módulos da futura usina serão instalados como parte de um projeto
experimental no porto do Pecém, a 60 quilômetros da capital cearense.

O
projeto está sendo desenvolvido pela Coordenação do Programa de Pós-Graduação em
Engenharia (Coppe), da UFRJ, e Eletrobrás, em parceria com o governo do estado
do Ceará. A implantação da usina ainda depende da Financiadora de Estudos e
Projetos (Finep), que deverá arcar com a metade dos R$ 3,5 milhões a serem
investidos.

Inicialmente serão gerados apenas 50 KW, o suficiente para
abastecer cerca de 20 famílias, como explicou o professor Segen Farid Estefen,
coordenador do programa de Engenharia Oceânica da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ). Estefen fez palestra no evento Power Future 2005, que discutiu
em Fortaleza o uso energias alternativas

Dentro de dois anos, quando
estiver pronta, a usina poderá gerar 500 KW. O aparato funciona da seguinte
maneira: as ondas movimentam flutuadores por meio de braços mecânicos que, por
sua vez, acionam as bombas hidráulicas da usina. Através de uma tubulação em
circuito fechado, essa água sofre uma pressão que, segundo Estefen, equivale a
uma queda d?água de 500 metros de altura. Essa pressão aciona a turbina e o
gerador que vai produzir a eletricidade.

Embora nenhuma usina desse tipo
esteja funcionando comercialmente, a tendência de se usarem as ondas do mar para
gerar energia está sendo desenvolvida em outros países como Japão, Dinamarca,
Portugal, Austrália, Índia e China. A tecnologia que está sendo usada no Brasil
é, segundo o coordenador do projeto, 100% nacional. Estefen lembra que o Brasil
tem 8,5 mil km de litoral e que os especialistas internacionais acreditam que,
se toda a energia disponível nas ondas do mar puder ser aproveitada, supriria o
planeta inteiro.

"A tecnologia é recente, por isso as usinas de onda do
mar ainda não foram implantadas comercialmente. Temos a chance de disputar uma
parcela desse mercado porque estamos desenvolvendo tecnologia, além de
capacitação técnica, para fabricação no Brasil de todos os componentes das
usinas de ondas do mar", explica Estefen.

A Coppe está levantando a
capacidade de geração de energia de toda a costa nacional. Dados preliminares
indicam que o potencial do litoral brasileiro é suficiente para suprir 15% da
energia elétrica consumida no país.

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