O advogado Wlicio Chaveiro, que trabalha para o caseiro Francenildo Santos Costa, entregou nesta tarde à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, uma autorização para ter acesso ao sigilo bancário, fiscal e telefônico de seu cliente.

O presidente da CPI, senador Efraim Moraes (PFL-PB), recebeu em mãos o documento e disse que o colocará amanhã para análise da comissão. Segundo ele, a CPI vai solicitar o acesso aos dados, "pois tem a autorização do caseiro".

Sobre o vazamento de informações de extratos bancários de Francenildo, que foram publicados pela revista Época, Efraim cobrou investigações e uma resposta "rápida" da Caixa Econômica Federal sobre a questão. "Espero que ainda hoje possamos ter os responsáveis pela quebra do sigilo do francenildo. A Caixa tem que se pronunciar de imediato sobre esta questão e nos fornecer quem quebrou o sigilo, o por que e a mando de quem", disse.

O senador lembrou que qualquer vazamento de movimentações financeiras sem autorização judicial consiste numa violência contra o cidadão comum. "Tanto faz se este cidadão é caseiro, motorista ou doutor. Os direitos são iguais, e, lamentavelmente, não estão sendo respeitados", destacou.

Extrato da conta que o caseiro Francenildo tem na Caixa Econômica Federal, ao qual a revista Época teve acesso, mostra que ele recebeu, desde o início do ano, R$ 38.860. Ele justificou a movimentação financeira dizendo que é filho bastardo do empresário Euripedes Soares da Silva, dono de uma empresa de ônibus em Teresina, e que teria recebido o dinheiro dele. Soares nega ser o pai do caseiro, mas confirma que fez os depósitos. O dinheiro seria parte de um acordo para reconhecimento de paternidade.

O advogado do caseiro, Wlicio Chaveiro, disse que a iniciativa de Francenildo de autorizar a comissão para que promova a quebra de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico é mais uma prova de "quem não deve não teme e não treme". Wlício destacou que com tal atitude o caseiro quer mais uma vez deixar claro que está falando a verdade.

Na semana passada, o caseiro teve seu depoimento à CPI dos Bingos suspenso por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF). Antes, no entanto, Francenildo confirmou que viu Palocci em casa alugada em Brasília por Vladimir Poleto por "dez ou 20 vezes". Poleto foi um dos assessores de Palocci, na época em que ele foi prefeito de Ribeirão Preto (SP). Atualmente, o ex-assessor é investigado pela CPI por suspeita de tráfico de influência no governo.

Em resposta ao caseiro, a assessoria do Ministério da Fazenda reafirmou que o ministro nunca esteve na casa e disse que ele não dirige em Brasília e, por isso, sempre se utilizou na cidade de carro guiado por motorista particular ou oficial.