Os ativistas israelenses e palestinos chegaram a um consenso e leram uma carta em conjunto com propostas para um acordo de paz no Oriente Médio. O documento foi lido no auditório do Ginásio de Esportes Gigantinho, com a presença de 18 mil pessoas, que, de mãos dadas  cantaram Imagine, de John Lennon, criando um momento simbólico para o último dia do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.

No documento, os três judeus e três palestinos militantes de movimentos pacifistas enviados a Porto Alegre comprometem-se a buscar paz, justiça e soberania para os dois povos e a criação de um Estado palestino independente, vizinho a Israel, ao longo das linhas de fronteira existentes em junho de 1967. E a defender que a capital dos dois países seja Jerusalém, que deverá ter status de cidade aberta.

Até chegar à leitura da Carta de Porto Alegre e gerar uma imagem emocionante destinada a percorrer o mundo nas emissores de televisão, os ativistas enfrentaram dificuldades no próprio Fórum Social Mundial, que reproduziram, em menor escala, o clima explosivo do Oriente Médio.

Outdoors espalhados pela cidade mostravam soldados israelenses ameaçando mulheres e crianças palestinas. Panfletos atribuíam ao terrorismo palestino a falta de paz na Terra Santa. Um grupo de judeus chegou a discutir com um grupo de palestinos que cantava vivas à intifada, na sexta-feira. A carta não foi lida ontem (26) porque os palestinos retiram-se do evento, em protesto pela matança de 15 palestinos na Faixa de Gaza.

A comunidade judaica reclamou de mensagens anti-semitas que teriam sido propagadas durante o Fórum. Ao final, ficou pelo menos o gesto de boa vontade dos ativistas vindos da Terra Santa. Vestidos de branco e abraçados, eles comungaram o ideal com a multidão emocionada.