O empresário Carlos Augusto Ramos, o "Carlinhos Cachoeira", disse, na CPI dos Bingos, que, quando fez a gravação, o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz pressionava-o por propina. Segundo "Carlinhos Cachoeira", Diniz, que era presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), na época, lançaria um edital em que acabaria com a exclusividade da empresa dele na exploração do jogo no Estado. "Carlinhos Cachoeira" disse que o documento tinha um vencedor conhecido, antecipadamente: a empresa Ebara. "Na fita da gravação da minha conversa com Waldomiro, eu falo que a Ebara é que ia ganhar", disse. O empresário afirmou também que considerava o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil um homem poderoso, pelo fato de ter permanecido na presidência da Loterj, mesmo com a mudança do governo do Rio. "Carlinhos Cachoeira" destacou que não pagou a propina pedida por Diniz e que uma prova disso é que o edital foi lançado e Ebara, a vencedora. O empresário também afirmou que a divulgação da gravação prejudicou, exclusivamente, ele, que foi obrigado a deixar de operar as atividades estaduais. "Nunca vi ninguém gravar o próprio crime", afirmou "Carlinhos Cachoeira". O empresário negou que tivesse conversado com o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil em 2003 por 248 vezes, como foi divulgado, e que entrou em contato com ele em três ocasiões naquele ano. "Carlinhos Cachoeira" ainda ressaltou que o relacionamento dele com Diniz era apenas institucional. O empresário disse que o ex-subchefe de Assuntos Institucionais nunca falou com ele sobre autoridades do governo federal e negou que tenha caixa 2. "Eu só tenho caixa 1", afirmou. "Carlinhos Cachoeira" disse que não é verdadeiro que tenha dado dinheiro para a campanha do ex-candidato do PT a governador do Distrito Federal Geraldo Magela. "Não dei um centavo ao Magela e não o conheço", declarou. O empresário confirmou que Diniz pediu recursos para a campanha da governadora do Rio, Rosinha Garotinho (PMDB), e também para a ex-governadora Benedita da Silva (PT). "Carlinhos Cachoeira" ressaltou, no entanto, que não acredita que o dinheiro pedido pelo ex-subchefe de Assuntos Parlamentares iria, de fato, para a campanha de Rosinha.