A captação de planos de previdência somou R$ 1,734 bilhão em janeiro, com crescimento de 14,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o ingresso de recursos no sistema foi de R$ 1,511 bilhão. Os dados são da Associação Nacional da Previdência Privada (Anapp). Os números mostram uma recuperação dos níveis de depósitos em relação a 2005, ano em que o setor registrou forte queda na captação. Mesmo na comparação com 2004, porém, houve melhora. Em janeiro daquele ano, o mercado registrou depósitos de R$ 1,704 bilhão.

"No primeiro semestre de 2005, as indefinições quanto às novas regras de tributação dos planos prejudicou o mercado e os valores arrecadados ficaram bem abaixo da média dos anos anteriores. Porém, houve recuperação no segundo semestre e tudo indica que retornamos a um ciclo de crescimento", analisa Osvaldo do Nascimento, presidente da Anapp e diretor da Itaú Vida e Previdência.

O Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) teve captação de R$ 1,112 bilhão em janeiro, uma alta de 68% na comparação com o mesmo período de 2005. A popularização do VGBL deve-se ao fato de que é o produto indicado para o investidor que declara Imposto de Renda pelo modelo simplificado.

O Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) – destinado a quem declara IR pelo modelo completo – teve captação de R$ 339,2 milhões, com queda de 7%. Os planos tradicionais captaram, por sua vez, R$ 280 milhões em janeiro, contra R$ 480,3 milhões em 2005 (queda de 41,7%). Os Fundos de Aposentadoria Programada Individual (Fapis) tiveram captação de R$ 2,3 milhões, com recuo de 34%.

Em relação à participação no volume de contribuições por tipo de plano, o VGBL lidera o ranking, com 64% do total, seguido pelo PGBL, com 20%. Na seqüência, aparecem os planos tradicionais, com 16% do total de novas contribuições.

De acordo com os dados da Anapp, a Bradesco Vida e Previdência liderou o ranking, com 40% do total, seguida pela Itaú (15%), Brasilprev (10%), Unibanco (8%), Caixa Econômica Federal (7%), ABN Amro Real (6%), HSBC, (4%), Santander (3%), Icatu Hartford (2%) e Capemi (1%). As demais empresas somam 4% do total.

Em relação a todos os produtos de previdência complementar, o nível de reservas – saldo dos recursos dos planos – atingiu R$ 78,4 bilhões em janeiro de 2006, uma expansão de 25,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando era de R$ 62,5 bilhões.

Segundo o balanço da Anapp, o VGBL passou a compor 37% do total de recursos depositados em previdência complementar aberta no País. O PGBL passou a representar 28% do total e os planos tradicionais, 34% do total acumulado desde o inicio da série. O Fapi manteve-se estável, na comparação com o ano passado, respondendo por 1% do total.

Em relação à carteira de investimentos – que inclui as reservas técnicas, as reservas livres, o capital de seguradoras e outros valores -, o mercado de previdência complementar cresceu 24,2% em janeiro. Com isso, a carteira do setor acumulou R$ 82,8 bilhões, contra R$ 66,7 bilhões no mesmo mês de 2005.

Segundo a Anapp, a carteira de investimentos em previdência ficou dividida na seguinte forma: planos tradicionais, com 37% do total; VGBL, com 36%, e PGBL, com 26%. O Fapi soma 1%.

O mercado de previdência complementar fechou janeiro com 148.150 planos corporativos, número 21,4% superior aos 122.030 registrados no mesmo mês de 2005. Já o número de planos individuais existentes no mercado de previdência totalizou 7.312 344, acumulando alta de 12,28%. O número de beneficiários do sistema de previdência complementar aberta totalizava 317.308 em janeiro, com crescimento de 35%.

Para Osvaldo do Nascimento, mesmo comparado a uma base baixa, o resultado do mercado em janeiro é significativo tendo em vista que, no primeiro mês do ano, o cidadão está envolvido com pagamento de tributos e das compras de Natal. Segundo ele, o aumento das novas contribuições reforça a previsão de que a previdência privada ultrapasse a barreira dos US$ 100 bilhões em reservas ainda no primeiro semestre deste ano.