Porto Alegre, 16 (AE) – O candidato à presidência do Uruguai pela aliança Encontro Progressista-Frente Ampla, Tabaré Vazquez, afirmou hoje (16) à noite que tem “identidade ideológica” com o PT no Brasil e avaliou que os partidos tradicionais em seu país desenvolveram políticas “que não concordam tanto como nós com o pensamento e o governo do presidente Lula”. Líder nas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial, que terá seu primeiro turno em 31 de outubro, Vazquez cumpriu uma agenda hoje no Brasil, onde esteve reunido com empresários em São Paulo e apresentou uma palestra a convidados da Câmara de Indústria e Comércio Uruguai-Brasil, em Porto Alegre (RS). “Eu creio que, se se der a coincidência de que existam governos progressistas na região, vamos poder obter acordos importantes que melhorem a qualidade de vida de nossa gente”, disse, ao comentar o relacionamento com o Brasil, caso vença a disputa.

Além de coincidências na trajetória política, Vázquez – que disputou duas eleições presidenciais, em 1995 e 1999 – apresentou também pontos em comum com o discurso da época em que Lula era candidato. Vázquez disse que os empresários questionam como seria um governo de sua aliança. “Não existe a mesma pergunta sobre os partidos tradicionais”, afirmou. Segundo ele, isso ocorre porque “os partidos tradicionais governam o Uruguai há mais de um século” e sua eleição representaria a primeira vez que a esquerda uruguaia chegaria ao poder. Seu governo apostará em “crescimento econômico com justiça social”, descreveu Vázquez. O candidato prometeu cumprir as obrigações contraídas pelos governos anteriores, apesar de criticar a pesada dívida pública que vencerá durante a próxima administração. Ao falar da reforma do Estado, incluída entre suas propostas, disse que não se trata de discutir se é preciso mais ou menos intervenção pública, mas que o Estado seja “vigoroso” e “pró-ativo”. Vázquez defendeu também um marco regulatório “claro, preciso e estável”, capaz de proteger os interesses dos consumidores e respeitar os direitos de propriedade.

Perguntado sobre seu plano para a questão do sigilo bancário do Uruguai, Vázquez transferiu a resposta ao senador Danilo Astori, que disse ser o escolhido para o cargo de ministro da Economia, caso vença a disputa. Astori disse que a aliança não irá modificar as regras do sigilo bancário.

Questionado sobre o possível aproveitamento de políticas do governo Lula no Uruguai, Vázquez disse que não é possível extrapolar a experiência de um país para outro, porque eles são diferentes, mas admitiu ser possível analisar experiências positivas de governos progressistas da região. Conforme dados de sua assessoria, Vázquez recebeu 50% das intenções de voto na pesquisa mais recente, ante 32% do candidato do Partido Nacional Jorge Larrañiaga, e 11% do candidato do Partido Colorado, Guillermo Stirling. A Câmara de Indústria e Comércio Brasil-Uruguai também convidou os demais candidatos para debater suas políticas em Porto Alegre, em dias diferentes. Vázquez viajou ao Brasil acompanhado de 75 empresários e jornalistas uruguaios.

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