A Câmara de Comércio Exterior (Camex) irá sugerir a diversos ministérios a adoção de novas medidas para facilitar a importação. A idéia é incrementar as compras externas do Brasil para tentar ajudar na revalorização do dólar em relação ao real. "Estou iniciando consultas com os vários ministros das áreas específicas", revelou Mario Mugnaini, secretário-executivo da Camex à Agência Estado.

Segundo ele, um dos elementos que tem contribuído para a valorização do real é a alta taxa de juros cobrada no País. "Mas quanto a isso não posso fazer nada", argumentou. Segundo ele, o que pode ajudar é se o governo adotar iniciativas que facilitem a importação de alguns produtos que possam influenciar no câmbio "Não estamos falando em aumentar a importação de supérfluos ou brinquedos. O que acredito que podemos fazer é criar condições referentes aos impostos para aumentar as compras de produtos como bens de capital", explicou Mugnaini.

Há poucas semanas, o governo já tomou algumas medidas nesse sentido, cortando as tarifas para a importação. "Vamos tentar ampliar e contribuir para que a tendência do real seja revertida", disse. Segundo os dados do governo, as importações já começaram a ganhar impulso nos últimos meses. Se em 2005 as compras tiveram um incremento de apenas 5,4%, os primeiros meses do ano mostraram crescimento de 13% e 11% em janeiro e fevereiro

Apesar das tentativas do governo para incrementar a importação, o principal parceiro do País no Mercosul, a Argentina, se queixa do déficit comercial que foi estabelecido com o Brasil em 2005. "Temos um déficit importante com o Brasil e somente em 2005 importamos US$ 10 bilhões", afirmou o secretário de Comércio da Argentina, Alfredo Chiaradia.

Para o secretário, parte desse déficit pode ter sido causado por "políticas públicas" adotadas pelo Brasil, insinuando que os setores só seriam competitivos graças à ajuda do governo. Mugnaini alerta que o déficit argentino com o Brasil continuará em 2006 e aponta que as razões não são os programas brasileiros de financiamento, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"O problema é que a Argentina não tem nenhum mecanismo para financiar suas exportações", disse. "Estamos com um real valorizado e o discurso argentino é o mesmo de quando nós tínhamos uma moeda desvalorizada. Isso só prova que estamos mostrando competitividade", concluiu o secretário-executivo da Camex.