Wilson Dias / ABr
Wilson Dias / ABr

Roberto Jefferson: "Tirei a roupa do rei! Mostrei ao Brasil o que é o governo Lula. Mostrei ao Brasil quem são eses farisus".

Brasília – O deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) foi cassado ontem à noite pelo plenário da Câmara Federal por 313 votos contra 156, treze abstenções, cinco votos brancos e dois nulos. A sessão contou com a presença de 487 deputados. Eram necessários 257 votos para o ex-presidente nacional do PTB perder o mandato por conta de denúncias sem provas que fez contra seus colegas de participar do mensalão do governo Lula, além de confessar ter recebido R$ 4 milhões do PT para o seu partido.

As denúncias de Jefferson foram uma forma de desviar a atenção da descoberta da corrupção que comandava nos Correios, através de diretores nomeados por seu partido para a empresa estatal. Antes do início da votação, Jefferson fez um discurso em tom de despedida. Emocionado, ele teve que conter as lágrimas quando falou da mãe e da mulher. Durante 41 minutos, o deputado reafirmou suas denúncias, atacou o PT e aumentou o tom das críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

?O presidente Lula é uma espécie de Genoino na Presidência da República: não sabe o que lê, não sabe o que assina, não sabe o que faz. E confiou a mãos erradas, ao Gushiken e ao José Dirceu, a confiança que o povo do Brasil depositou nele. Errou?, disse. No fim, garantia que saía de cabeça erguida: ?Entrego meu mandato na mão dos senhores. Honrei o Parlamento. Não conseguiram provar nada no jornal contra minha honra e minha dignidade pessoal. Saio de cabeça erguida. Com o sentimento da missão cumprida. Tirei a roupa do rei! Mostrei ao Brasil quem são esses fariseus. Mostrei ao Brasil o que é o governo Lula?, disse, sendo aplaudido pelas pessoas que estavam nas galerias do plenário da Câmara.

Antes de Jefferson, o relator do Conselho de Ética, Jairo Carneiro (PFL-BA), leu um resumo de seu parecer, que pede a cassação do petebista. ?Este é um momento que tem alta significação, uma ocasião em que fazemos um mea-culpa, uma auto-imolação, um juízo sobre a conduta dos nossos pares, em particular do deputado Roberto Jeferson?, disse Carneiro, no começo de seu discurso.

O relator citou Jefferson como um parlamentar ?que sabe exercer com habilidade, bravura e inteligência a tribuna?, mas destacou que a decisão a ser tomada pelo plenário nesta quarta não deve ter como base a emoção ou a paixão. ?Aqui não será a paixão, nem a emoção, que vai superar as razões que devem ditar a conduta de cada um e o voto e a decisão de cada qual?, alertou.

O advogado de Roberto Jefferson (PTB-RJ) afirmou que entraria ainda ontem com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para recorrer do processo de cassação. O nome do advogado é Luiz Francisco Barbosa. Ele deixou de assistir o discurso de Jefferson em plenário para deslocar-se para o Supremo. ?Queria ver até o final, mas tenho de ir. Devo entrar ainda nesta quarta-feira com o mandado de segurança. Vamos alegar violência à ampla defesa, o direito ao contraditório e devido processo legal?, disse Barbosa, que fez a defesa de Jefferson em plenário também.