Mesmo com a obstrução da oposição, o Plenário aprovou nesta quinta-feira (15) o substitutivo da deputada Maria do Rosário (PT-RS) ao Projeto de Lei 4125/04, de autoria da CPMI da Exploração Sexual. A proposta obriga diversos estabelecimentos comerciais a exibir letreiro informando ser crime submeter crianças ou adolescentes à prostituição ou à exploração sexual.

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A relatora aceitou uma emenda que amplia a lista de estabelecimentos nos quais será obrigatória a fixação do letreiro. O projeto original citava apenas hotéis, bares, restaurantes e similares. Foram incluídas na lista as lanchonetes; as casas noturnas de qualquer natureza; os salões de beleza; as agências de modelos; as casas de massagem; as saunas; as academias de fisiculturismo, de dança, de ginástica e de atividades correlatas; os postos de gasolina e demais locais de acesso público localizados junto a rodovias; os clubes sociais e associações recreativas ou desportivas de livre acesso ou que promovam eventos com entrada paga; e outros estabelecimentos comerciais que ofereçam, mesmo sem fins lucrativos, serviços mediante pagamento voltados ao mercado ou ao culto da estética pessoal.

Apesar de aprovado o texto base, faltam ainda os destaques para votação em separado (DVS) pedidos pelo PFL, que serão votados na próxima semana.

Obstrução

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Foram três horas de medidas de obstrução, entre requerimentos, discursos e votações nominais, mas a oposição não se manifestou contra a proposta. A obstrução, que durou toda a semana, foi um protesto contra o recurso do PT que impediu a instalação da CPI do Tráfego Aéreo e ainda precisa ser julgado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

Após o quorum ter sido alcançado apenas com deputados da base aliada ao governo, líderes do PPS, PSDB e PFL declararam apoio ao projeto e liberaram suas bancadas para a votação. "Esse projeto foi fruto de uma CPI, e é isso que o governo precisa aprender: CPI não é para perseguir governo", disse o líder do PSDB, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP). O líder do PFL, deputado Onyx Lorenzoni (RS), ressaltou que os partidos eram favoráveis ao projeto e se comprometeu a aprovar as propostas da bancada feminina, mas disse que a obstrução é um protesto válido e democrático da Minoria.

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Apelo

O líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), alertou que, apesar de ser favorável à CPI, é contra a estratégia de seus colegas de oposição. "É inviável que tenhamos uma obstrução contra projetos que não são do governo, vamos nos indispor com todos os segmentos sociais", disse. O mesmo apelo foi repetido pela deputada Vanessa Graziottin (PCdoB-AM), uma das articuladoras da bancada feminina. "Gostaríamos de ter o voto da oposição, porque esse não é um projeto do governo", disse.

O 2º vice-presidente da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), lembrou que o regimento da Câmara foi elaborado no espírito da Constituição de 1988. "Esse regimento foi feito para quem quiser obstruir, obstruir. Para quem quiser defender seus direitos", explicou. Segundo ele, o atual Colégio de Líderes é dos melhores, e a oposição saberá dirigir sua obstrução contra o governo, mas sem paralisar a Câmara.

Pedido do STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello decidiu ontem enviar um pedido de informação à Mesa Diretora da Câmara sobre a suspensão da CPI do Apagão Aéreo. O ministro relata mandado de segurança apresentado pelos partidos de oposição para a instalação imediata da CPI.

A oposição quer uma resposta rápida do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, para o pedido de Celso de Mello. Se isso ocorrer, poderá rever a estratégia de obstrução na próxima semana.

Chinaglia, no entanto, argumentou que nem sequer recebeu o requerimento do STF e disse que sua linha de ação será enviar o pedido de informação para sua assessoria técnica. Ele afastou a possibilidade de manobra para adiar a decisão do Supremo. "Todos elogiaram a assessoria e a Mesa pela condução dos trabalhos até hoje, peço a confiança de todos", disse.