Em uma sessão caótica, com bate-boca, choro e troca de acusações entre os deputados, a Câmara aprovou na quarta aumento nos salários dos parlamentares, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente José Alencar e dos 37 ministros de Estado. Com o reajuste, que corresponde à reposição da inflação entre dezembro de 2002 e março de 2007, os deputados passarão dos salários atuais R$ 12.847,20 para R$ 16.512,09. O do presidente Lula passará para R$ 11.420,21 e do vice-presidente e ministros para R$ 10.748,43. O aumento é retroativo a 1º de abril.

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Foram cerca de 10 horas de sessões extraordinárias, uma atrás da outra, para votar os reajustes salariais. "Esse foi um dos piores dias do Congresso. As bruxas estão soltas", resumiu o deputado Ivan Valente (PSol-SP), no meio da sessão noturna. Depois de recepcionar o Papa Bento XVI, em São Paulo, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), voltou às pressas para o Congresso e acabou protagonizando um bate-boca com o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ).

O motivo da discórdia foi a viagem de parlamentares, no fim de semana, para o Uruguai para a primeira sessão do Parlamento do Mercosul. Gabeira acusou a Câmara de gastar excessivamente com a viagem. Segundo o deputado verde, cerca de 70 deputados teriam ido para Montevidéu. "É mentira", reagiu Chinaglia, que fez questão de explicar que parte dos deputados da comitiva não recebeu diárias para a viagem.

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