São Paulo – O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), mandou hoje um duro recado ao governo e afirmou que a isenção que construiu durante a crise continuará a pautar a postura dele na condução dos trabalhos do Legislativo.

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"Se o governo pensa no recesso para dar férias à crise, para paralisar investigação ou para não dar prosseguimento ao julgamento dos acusados, o governo não vai contar comigo nesta pretensão", assegurou, na sala vip do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Calheiros reúne amanhã (13), às 11 horas, em Brasília, os líderes no Congresso para definir a estratégia que será adotada com o objetivo de tornar certa a votação do Orçamento e a continuidade dos trabalhos das comissões parlamentares de inquérito (CPIs) e do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara.

"A disputa política é legítima, mas o Orçamento não pode ser a próxima vítima", destacou, afirmando que trabalha para de aprovar as matérias de interesse do País.

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Sobre o custo da convocação extraordinária, ele Senado disse que "o preço político maior seria a não-convocação, pois o País não pode parar". Segundo ele, a população poderia entender que a paralisação dos trabalhos do Congresso daria fôlego aos políticos acusados e que são objeto de investigação. "Não terei crise existencial", afirmou, numa referência à convocação extraordinária.

Calheiros evitou também comentar o valor que o governo pretende fixar para o salário mínimo, de 350 reais. "Farei tudo para termos o mínimo que permita que a inflação continue baixa, mas com crescimento da economia." De acordo com o presidente do Congresso, o melhor salário mínimo é aquele que a economia pode pagar.

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Além desta questão, Calheiros defendeu ainda a desoneração dos impostos da cesta básica, que, segundo ele, beneficiará as camadas mais pobres da população.

Calheiros disse também que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o chefe da Secretaria das Relações Institucionais da Presidência da República, Jaques Wagner, para que fossem criadas as condições políticas com o intuito de votar o Orçamento. "Nessa conversa, o presidente Lula pediu empenho na votação do Orçamento, mas disse que não iria convocar o Congresso", disse.