Em maio, segundo informações recentes do Banco Central, o setor público economizou recursos para efetuar o pagamento dos juros – o superávit primário – no valor de R$ 6,31 bilhões. Mais um recorde foi quebrado pelo setor econômico, draconiano guardião do compromisso assumido pelo governo de cumprir os contratos.

O problema se resolveu apenas em parte, porque mesmo com a economia forçada que retira dinheiro de setores importantes como saúde, educação, segurança pública e infra-estrutura, o superávit alcançou pouco menos de 50% dos R$ 13,71 bilhões que o Brasil pagou de juros no referido mês.

Tendo em vista que a economia é uma ciência exata, posto que deveras torturante, para a compreensão leiga da realidade será preciso afirmar que as contas públicas, considerando-se o total das receitas menos despesas, inclusive juros, em maio, acusaram um déficit de R$ 7,39 bilhões.

Ou seja, apesar do esforço hercúleo, na maioria dos casos, carregado de profunda injustiça social em relação à grande massa de famílias situadas na faixa da pobreza, quanto mais o governo economiza em despesas públicas mais tem a pagar aos credores de uma dívida que chegou a 50,3% do Produto Interno Bruto.

Cálculos do BC indicam que até o final do ano o déficit nominal público pode chegar a 3,6% do PIB (em maio foi a 2,59%), caso o superávit primário não exceda os atuais 4,25% do PIB.

O mau resultado se deverá ao governo federal, cujos títulos da dívida pública estão atrelados à taxa Selic (17,29% em média nos últimos 12 meses), com tendência de crescimento nos próximos meses com a manutenção dos juros em 19,75%.

No mês de maio, o débito contraído pela União, estados e municípios fechou na formidável cifra de R$ 957,57 bilhões. Há um longo e difícil caminho a percorrer, com um ônus ominoso imposto a milhões de pessoas que, talvez, sobrevivam para testemunhar a extensão da calamidade social brasileira.