Não é de hoje que se usa a expressão assaz apro-priada ?caixa-preta?, até pela lembrança obrigatória do componente vital para revelar causas de acidentes com aeronaves, para se referir ao espesso nevoeiro que encobre algumas das atividades desenvolvidas pela Infraero.

Diga-se a bem da verdade que a expressão, antes de cair em domínio público, a princípio, foi cunhada por empresários do trade turístico, de modo especial, vendedores de passagens e roteiros aéreos. Portanto, agentes que pela natureza da atividade comercial sempre estiveram em contato com o órgão estatal.

No depoimento à CPI do Apagão Aéreo no Senado, o procurador do Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado, afastou a cortina e carimbou a Infraero como ?caixa-preta? do sistema de arrecadação e repasse dos recursos provenientes das três tarifas cobradas para financiar a manutenção e o aperfeiçoamento do sistema de controle do tráfego aéreo, em território nacional.

De acordo com o procurador, o montante dos recursos supera a cifra de R$ 1 bilhão por ano. Entretanto, a instância fiscalizadora de gastos da administração federal não conhece os critérios usados pela Infraero na divisão do dinheiro com a Aeronáutica.

O procurador também revelou à CPI que o TCU sequer tem informações mínimas para ?identificar o caminho das verbas milionárias, quanto é retido, repassado e o que a Infraero faz com os recursos?.

Apenas esse aspecto do depoimento basta para compreender o esforço feito pela base para evitar a investigação em curso no Congresso Nacional. Caixa-preta ou buraco negro?