Brasília – O vice-presidente de Finanças da Caixa Econômica Federal, Fernando Nogueira, acusou hoje o senador Álvaro Dias (PSDB/PR), integrante da Comissão Parlamentar Mista dos Correois, de quebra de decoro parlamentar. Segundo Nogueira, o senador não deveria ter divulgado informações, a princípio sigilosas, do relatório preliminar do Tribunal de Contas da União, entregue esta semana na CPI.

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O documento aponta indícios de irregularidades na compra, pela Caixa, da carteira de crédito consignado (empréstimo pessoal com desconto em folha de pagamento) do banco BMG. O senador Álvaro Dias nega que tenha sido ele quem repassou o relatório do TCU à imprensa esta semana, mas assume que fez comentários com repórteres sobre os dados constantes do documento.

O BMG está envolvido nas denúncias sobre o caixa 2 do PT, por ter intermediado empréstimos avalizados pelo empresário Marcos Valério ao partido). "Na minha opinião, houve quebra de decoro parlamentar. O próprio presidente do TCU manifestou por duas vezes que o documento preliminar elaborado por um técnico do TCU não poderia ter sido divulgado", disse Nogueira, em entrevista coletiva à imprensa.

Segundo Nogueira, o TCU, por meio de ofício encaminhado ao presidente e ao relator da CPMI, recomendou que evitassem a divulgação das informações, por ser tratar de indícios de irregularidades ainda pendentes de julgamento pela corte do tribunal.

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Indagado se houve interesse político por parte do senador Álvaro Dias ao provocar a investigação do TCU sobre o assunto, Nogueira respondeu que sim, mas que vai aguardar que os próprios parlamentares ou o Judiciário tomem as atitudes cabíveis.

Ele acrescentou que, se a CPI dos Correios tiver interesse em ouvir representantes da Caixa a respeito do relatório, a instituição está disposta a prestar qualquer esclarecimento. "Nós temos todo o interesse em esclarecer os fatos. Queremos a verdade. Estamos absolutamente tranqüilos a respeito da operação que nós fizemos com o BMG", disse.

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O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), considerou hoje "absolutamente necessário" ouvir representantes da Caixa Econômica Federal (CEF), do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e do Banco de Minas Gerais (BMG) sobre o assunto. O relatório do TCU aponta possível irregularidade em operação do BMG com o INSS durante o processo de implementação do sistema de crédito consignado para aposentados no país.

O vice-presidente da Caixa também fez críticas ao relatório do TCU que, segundo ele, "contém erros conceituais gravíssimos". E acrescentou: "Esse relatório preliminar revela um total desconhecimento da área econômica e financeira e traz erros de interpretação". Ele também afirmou que operações de crédito entre instituições financeiras, como houve entre Caixa e BMG, são extremamente "normais e legais" no sistema financeiro nacional.