Cai ritmo de criação de novas vagas com carteira assinada

Brasília – Caiu em cerca de 82% o ritmo de criação de novos empregos com carteira assinada no País em novembro, na comparação com o mesmo mês de 2004. O número de novas vagas formais geradas na economia passou de 79.022 para apenas 13.831, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) anunciados hoje (22). O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, admitiu que o "desaquecimento" na geração de empregos reflete a queda de 1,2% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre julho e setembro deste ano em relação aos três meses anteriores. "Tivemos um forte declínio do PIB no terceiro trimestre que pode estar influenciando esse dado", disse o ministro.

Para Marinho, os sinais de desaquecimento econômico naquele período criaram uma expectativa "não muito positiva" por parte de empresários e as famílias em geral quanto aos resultados da economia no final do ano. "Assim, houve retração de consumo e menos contratações", resumiu.

O ministro acredita que em novembro tenha ocorrido uma antecipação do fechamento de vagas que normalmente se registra no último mês do ano. "Por isso, é possível esperar uma redução menor de empregos formais em dezembro", comentou.

Em geral, dezembro é marcado por uma perda líquida de postos formais de trabalho. Nesse mês em 2004, por exemplo, foram 352 mil demissões a mais que admissões. Por causa desse esfriamento, Marinho afirmou que projeta para todo o ano de 2005 a geração líquida de 1,2 milhão de novos empregos com carteira assinada. Mesmo sendo um número positivo, isso significará redução de 36% em relação ao total de 2004 quando foram criadas 1,8 milhão de vagas. De janeiro a novembro deste ano, o saldo está acumulado em 1,5 milhão de novos postos.

O ministro prevê que o governo Lula poderá fechar os quatro anos de governo com o saldo de 4 milhões de novos empregos formais. "Se somarmos uma estimativa de colocações informais, especialmente na agricultura, isso pode chegar a 8 milhões", afirmou.

indústria e construção 

O Caged, que é um cadastro montado com informações sobre admissões e contratações mensais de todas as empresas do País, revelou que a construção civil, a indústria e a agropecuária foram os setores que mais eliminaram empregos no mês passado. Na construção civil, houve perda de 3.515 postos. A indústria eliminou 44.815 empregos formais, com destaque para o segmento alimentício que demitiu 42.118 empregados. A agropecuária reduziu 57 mil postos.

A análise do ministério do Trabalho é que o ritmo de obras na construção foi prejudicado pelo período de chuvas e a agropecuária influenciada pelo período de entressafra nas regiões Centro-Oeste e Sul, o que também afetou a indústria alimentícia. Os segmentos moveleiro e de calçados também registraram mais demissões que contratações (cerca de 2 mil postos cada um), como resultado de uma queda das exportações. Os empresários dessas duas áreas reclamam que estão sendo prejudicados pela valorização do real frente ao dólar que reduz a competitividade das vendas externas.

Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor de construção fechará este ano com um crescimento "medíocre" de apenas 1%. Para os empresários do setor, um dos principais motivos foi os juros altos que impactaram a renda das pessoas e encareceram os financiamentos.

Os destaques positivos em novembro foram o comércio, com 74.505 novas contratações, e serviços registrando mais 42.360 postos formais. De janeiro a novembro, os serviços permitiram a criação de 617.105 admissões com carteira assinada, passando a ser o melhor resultado para o período na série do Caged desde 2000. O comércio está em segundo lugar, com 375.943 postos criados, seguido da indústria, com 280.820 empregos.

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