Foto: Arquivo/O Estado

Secagem de café em terreiro na região de Maringá.

A colheita do café na região de Maringá teve início em meados de abril. O trabalho deve se intensificar a partir de maio, indo até o início de julho. A expectativa da Cocamar é receber 300 mil sacas de café beneficiado.

Este é o ano em que a produção de café deveria ser maior, mas devido a estiagem logo após a florada e também ao fato de parte das lavouras não estar sendo tratada de acordo com as recomendações técnicas, a produtividade média por hectare na região deve ficar em 45 sacas em coco ou 16,6 sacas de produto beneficiado. ?O potencial de nossas lavouras era de produzir no mínimo o dobro se os produtores tivessem adubado o cafezal de acordo com a necessidade e controlado pragas e doenças de forma efetiva?, afirma o engenheiro agrônomo Ubiratan Aires, o Bira, da Cocamar.

A cooperativa vem realizando eventos de assistência técnica coletiva por toda a sua área de ação, enfatizando a necessidade de o cafeicultor caprichar na colheita e na secagem do café para garantir melhor qualidade, além de colher com o máximo de grãos cereja. ?Os produtores têm colhido café antes da hora, com um percentual muito alto de grãos verdes, de 20% a 30%. Isso não só reduz o peso e a renda, mas prejudica a qualidade da bebida e aumenta o número de grãos com defeito?, orienta Bira.

Adiantamento

Para a colheita da safra, o governo federal disponibilizou recursos do Funcafé, mas para o cooperado que não tiver acesso, a Cocamar estará fazendo um adiantamento, cobrando juros diferenciados no caso do produtor que entregar o café na cooperativa. ?Isso para que o cafeicultor não precise comercializar sua safra de imediato, no período em que os preços tendem a cair significativamente por conta do grande volume de café que é colocado no mercado?, afirma Adenir Volpato, o Gabarito, gerente comercial de café da Cocamar.

Ele diz que o mercado vem sinalizando com recuperação de preços, mas à medida que avançar a colheita, os preços tendem a cair, a não ser que ocorra algum imprevisto como geada, estiagem forte ou valorização do dólar. ?Mas, de um modo geral, as perspectivas são boas para o café?, comenta Gabarito.

No Paraná, a expectativa é de produzir 2,2 milhões de sacas beneficiadas nesta safra, chegando a 40,6 milhões de sacas em todo o Brasil. Como a expectativa de exportação é de 26 milhões de sacas, com mais 15 a 16 milhões de sacas de café para o consumo interno, números semelhantes aos do ano passado, a demanda continua maior que a oferta, mesmo sendo ano de safra ?grande?. No ano passado, a produção foi de 33 milhões de sacas, ?o que significa estoques em baixa, principalmente tendo em vista que o próximo ano será de safra menor, novamente?, complementa Gabarito.