Brasília – No Brasil, correm 18% de toda a água do mundo, sendo 12% água que corre internamente e o restante em bacias hidrográficas compartilhadas com outros países. Tanta disponibilidade não exime o país de planejar o melhor uso, a forma como aproveitar ao máximo esse recurso, sem o qual nenhuma atividade humana se desenvolveria. Por isso, depois de sete anos de estudos e discussões, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulga, a partir de segunda-feira (13), um conjunto de documentos que visam a colaborar para a implementação de políticas por parte de órgãos estaduais.
São os cadernos das 12 regiões hidrográficas em que o país foi dividido a partir da elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos. As regiões coincidem com os principais rios das bacias hidrográficas brasileiras e sua área de influência. Os cadernos serão entregues nas feiras ambientais que a Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), responsável pela coordenação do processo de construção do plano, vai promover até a primeira quinzena de dezembro.
Na última segunda-feira (6), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, divulgou outras cinco publicações que têm o mesmo objetivo dos cadernos regionais – ajudar o governo na execução de programas pelo melhor uso da água, também no nível federal. As publicações, chamadas de Cadernos Setoriais, foram intituladas com os principais segmentos usuários da água no país – energia hidrelétrica, transporte hidroviário, saneamento, indústria e turismo, e agropecuária.
Os Cadernos Setoriais, que estão sendo distribuídos por todo o país, nas secretarias estaduais, nas prefeituras e nas organizações não-governamentais (ONGs), já promovem parcerias. Estados como Alagoas, Espírito Santo e Tocantins pediram à Secretaria de Recursos Hídricos ajuda técnica e financeira para elaborar seus planos regionais. Eles devem começar os trabalhos ainda neste ano. Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul estão montando seus planos e contaram com o apoio financeiro e técnico da secretaria.
De acordo com o secretário interino de Recursos Hídricos, Márley Mendonça, São Paulo já revisou seu plano em 2005, e Minas Gerais e Distrito Federal estão finalizando seus planos. ?São Paulo, Minas e Distrito Federal já se beneficiaram desses estudos que compõem os cadernos setoriais. Não demos ajuda financeira e técnica, mas a base de dados dos cadernos já foram úteis para esses estados?, concluiu.