O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, enfrentará nesta terça-feira (08) a pressão da Europa e do Japão para que o G8, o grupo das economias mais ricas e a Rússia, aceite a adoção de metas para a redução da emissão dos gases do efeito estufa até 2020, independentemente dos compromissos das principais economias emergentes da Ásia.

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Em sua chegada, no último domingo (6), Bush declarou-se disposto a assumir uma posição "construtiva", desde que a China e a Índia igualmente adotassem metas equivalentes. O sucesso da cúpula de Hokkaido dependerá, portanto, da resposta a ser extraída de um presidente em fim de mandato, cujo governo se vê desgastado por suas controversas opções pelo unilateralismo, pela guerra no Iraque e pela crise econômica. Mas, que também se recusa a contrariar posições anteriormente assumidas.

Nesta segunda-feira (7), o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, fez um apelo aos líderes do G8 para que assumam uma meta ambiciosa de redução de 50% das emissões até 2050 e que também acordem um objetivo de médio prazo, que diplomaticamente deixou em aberto.

Na mesa de negociações, Bruxelas pretende atrair os Estados Unidos a um compromisso semelhante ao que assumiu unilateralmente no início deste ano – o corte de 20% nas emissões de gases do efeito estufa até 2020, em comparação com os níveis de 1990. Na ocasião, os países europeus deixaram claro que concordariam em elevar esse porcentual a 30%, se os Estados Unidos e outros países desenvolvidos também aderissem aos cortes "Se conseguirmos alcançar um compromisso de longo prazo para reduzir em 50% as emissões de gases até 2050 e também um princípio de acordo sobre a redução em médio prazo, poderemos falar de sucesso (desta cúpula do G8)", afirmou Barroso. "Vamos trabalhar para alcançar compromissos reais nesta cúpula do G8", insistiu ele.

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Em 2007, no encontro de Heiligendamm, na Alemanha, o G8 limitou-se a prometer a conclusão de um estudo sobre as decisões de corte das emissões de gases em curso no Japão, no Canadá e nos países europeus. Se Durão Barroso e os quatro líderes europeus que atuam no G8 têm o desafio de não sair desta reunião de cúpula apenas com uma carta de intenções, o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, tem uma missão ainda mais pesada. Sua administração apostou todas as fichas no sucesso da discussão da questão climática em Hokkaido e vai insistir para que seja fechada, pelo menos, uma posição intermediária entre as resistências da China e da Índia, de um lado, e dos Estados Unidos, do outro.

Os negociadores japoneses trabalham com a expectativa de convencer a China a aderir aos compromissos que deverão ser traçados até o final de 2009 – os mesmos que entrarão em vigor em 2012 e que substituirão os termos do Protocolo de Quioto. Os Estados Unidos, em princípio, devem seguir o mesmo caminho, uma vez que não aderiram a esse protocolo. Nos últimos anos, Tóquio adotou objetivos de redução da emissão de gases do efeito estufa e, com esta cúpula, ambiciona tornar-se uma espécie de modelo para o mundo do uso eficiente e de fontes alternativas de energia.

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Em paralelo, organizações não-governamentais expandiram seus alertas sobre os impactos da omissão dos maiores emissores de gases sobre o clima. No mês passado, pesquisadores do Centro de Dados Nacional sobre Neve e Gelo (NSIDC), dos Estados Unidos, haviam concluído que a calota de gelo do Pólo Norte poderia desaparecer no período de verão em um prazo de até dez anos, se não houvesse nenhum tipo de intervenção. Outra instituição americana, o Centro de Pesquisas Atmosféricas, concluiu recentemente que esse processo poderá ser antecipado para 2013. Mas, nas projeções da Gaia Initiative, a ONG japonesa que montou um espaço interativo no Centro Internacional de Imprensa da cúpula do G8, esse fato poderá se dar a partir de 2010.

Segundo Tomoyo Nonaka, presidente da organização, a temperatura nas regiões do Pólo Norte e no Tibete têm aumentado 6 pontos a cada ano. Para expor seu alerta, Nonaka ensina os visitantes a moverem com as mãos cada um dos cinco globos terrestres interativos instalados no lobby do centro de imprensa, em um espaço batizado como "salão de chá Terra", e a ler os dados que apresentam.

Cada globo mostra, em tempo real, as condições climáticas, de emissão e de movimento dos gases poluentes na atmosfera, de aquecimento global, de formação de ciclones e de ocupação humana do planeta, assim como sua vista a partir de um satélite.

A organização não-governamental Oxfam, por sua vez, advertiu nesta segunda-feira que, a menos que os líderes do G8 concordem com uma ação imediata e com metas de médio prazo para a redução dos gases do efeito estufa até 2020, nenhuma perspectiva de longo prazo será realizável.