Nova York

– Wall Street ainda está longe de apoiar o primeiro colocado nas pesquisas sobre a eleição presidencial brasileira, o ex-líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. Mas a repulsa automática que surgia diante da simples menção de seu nome meses atrás começa lentamente a ser substituída por uma consideração cuidadosa, agora que Lula disse que cumprirá as condições estabelecidas no acordo de 30 bilhões de dólares com o FMI.

À medida que Lula aumenta a liderança nas pesquisas, a menos de um mês do primeiro turno das eleições (próximo dia 6), investidores e analistas começam um flerte distante com o candidato, visto há alguns meses como um veneno de esquerda para a maior economia latino-americana. “Embora Lula não seja o candidato ideal da comunidade financeira, o pensamento agora começa a mudar em relação às possibilidades de trabalho que a comunidade financeira teria com ele”, disse Thomas Trebat, diretor executivo da área de pesquisa de mercados emergentes na Salomon Smith Barney.

Trata-se de um processo difícil para os detentores de bônus que se lembram das três campanhas presidenciais anteriores de Lula, em que o candidato defendia a reestruturação da dívida do . Ainda em abril, um importante analista de Wall Street o definia como “o diabo encarnado”. Mas o barbudo líder do PT não só passou a vestir ternos elegantes como recentemente deu sua bênção a um empréstimo de US$ 30,4 bilhões do FMI, que exige que o Brasil cumpra metas estritas de superávit primário.

Wall Street gosta dos ternos, mas adora as condições impostas pelo empréstimo, que terá de ser pago, em sua maior parte, depois que o próximo presidente assumir, em janeiro. “No passado, teria sido muito difícil imaginar Lula apoiando um acordo com o FMI”, disse Ricardo Amorim, principal analista de América Latina na IDEAGlobal, uma empresa de pesquisa econômica sediada em Nova York. “Isso melhorou bastante a imagem de Lula no mercado.”

Serra é visto, em geral, como o político mais provável a reforçar as reformas de mercado e austeridade fiscal do presidente Fernando Henrique. Thomas Trebat, da Salomon, disse que os mercados estão comprando a idéia de que um Lula mais moderado -que poderia contar com o apoio do PSDB – poderia ao menos adiar a crise de confiança esperada para logo após eventual vitória do PT.

“Com o apoio do FMI e um PT mais moderado governando com o PSDB, não haverá um descarrilamento imediato da economia brasileira se Lula vencer”, disse Trebat.