A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve votar o projeto que cria o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na próxima quarta-feira, 16. O relator da proposta, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), apresentou nesta quarta-feira, 9, relatório favorável ao projeto. Em seguida o presidente da comissão, Edison Lobão (MDB-MA), concedeu prazo regimental de uma semana para vista coletiva (mais tempo para análise do texto).

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O líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (RJ), reclamou do fato de o Senado ter de votar “no afogadilho” uma proposta que tramitou por seis meses na Câmara. “Se o relator não estivesse preso a essa tese de que não pode mexer para que o texto não volte à Câmara, tenho certeza de que ele faria um relatório primoroso, com todas as mudanças necessárias. Mas não dá”, criticou.

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Em seu relatório, Anastasia concluiu que “não foi encontrado nenhum vício de inconstitucionalidade formal ou material ” e que o projeto “preenche os requisitos de adequação da via eleita, generalidade, abstração, coercitividade, inovação e aderência aos princípios gerais do Direito”.

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“No mérito, o projeto é conveniente e oportuno. Há muitos anos a comunidade de segurança pública reclama da falta de uma política e de um plano nacional para o setor”, escreveu Anastasia. Ele reclamou que até hoje não foi editada uma lei prevista em trecho da Constituição Federal para disciplinar “a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades”.

“O projeto não apenas supre essas omissões como também cria o Susp, inspirado no Sistema Único de Saúde (SUS)”, elogiou o tucano em seu parecer. Anastasia fez apenas emendas de redação, ou seja, não sugeriu modificações no mérito da proposta. Caso o parecer do senador seja aprovado desta forma pela CCJ e, depois, pelo plenário do Senado, não precisaria voltar para análise da Câmara.

Nesta quarta, o debate na CCJ durou quase uma hora e meia. O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) criticou o fato de o texto não trazer, em nenhum ponto, menção à proteção a vítimas e a testemunhas. Segundo ele, a palavra vítima, por exemplo, não aparece sequer uma vez entre os 50 artigos da proposta.

“Esse sistema de segurança só tem razão de existir porque existem vítimas. Não deveria o Susp tratar desse assunto específico para criar um mecanismo mais eficaz de proteção? As vítimas não poderiam estar ausentes desse projeto. Mas tem aquela questão: se mexer no texto aqui no Senado, vai ter que voltar para a Câmara, o que atrasa a tramitação. O projeto é importante e inadiável, mas ficaria mais completo se desse mais atenção às vítimas”, avaliou.