Voo 447: Air France questiona suspeita sobre sensor

Irritado com o assédio da imprensa e com as críticas que começam a ganhar espaço, o diretor-geral da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, veio a público afirmar que “não está convencido” de que os sensores de velocidade (pitot) teriam causado a tragédia com o voo 447. A progressão das dúvidas sobre a eficácia dos sensores obrigou o diretor-geral da Air France a se manifestar pela primeira vez desde o dia do acidente.

Defendendo-se das críticas pela demora no programa de substituição dos sensores de velocidade sob suspeita, mesmo após o conselho dado pela Airbus, Gourgeon justificou-se. “Por circunstâncias de tempo, os primeiros aprovisionamentos (da peça) chegaram praticamente na véspera do acidente, na sexta-feira.” Depois da tragédia, a companhia acelerou a troca dos tubos de pitot da frota de A330 e A340. “Esse programa foi acelerado porque nos parece que há efetivamente, no acidente, um problema de velocidade”, reconheceu, em entrevista ao jornal Le Parisien. O executivo, contudo, disse não ver vínculos entre a falha e a tragédia. “Não estou convencido de que as sondas sejam a causa do acidente.”

Também em postura defensiva, na quarta-feira a Airbus reafirmara que seus aviões “são seguros”. Ontem, o Escritório de Investigações e Análises para a Aviação Civil (BEA) endossou a versão das companhias. “Ainda não há nenhum vínculo entre os pitots e as causas do acidente”, afirmou a porta-voz do órgão, Martine Del Bono. No sábado, contudo, o diretor do BEA, Paul-Louis Arslanian, havia definido a “incoerência no aferimento da velocidade” como “um elemento forte na investigação”.

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