Brasília – O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Edson Vidigal, criticou ontem a atuação dos parlamentares nas CPIs dos Bingos, dos Correios e do Mensalão e afirmou que as investigações precisam ser refeitas por órgãos como o Ministério Público. Para ele, a impunidade é fruto da falta de objetividade na apuração das denúncias por parte das comissões.

"Elas (as comissões) estão treinando e é bom treinar, mas nós não podemos confiar totalmente apenas na apuração. É preciso que tenhamos um estado mais aparelhado, senão vamos contribuir para a impunidade pela morosidade", disse o presidente do STJ. Edson Vidigal lembrou ainda que o relatório final da CPI deve ser encaminhado ao Ministério Público, que pode oferecer a denúncia.

"Temos visto que as CPIs terminam, a papelada é mandada para o Ministério Público, que vai se virar junto com a Polícia Federal. Depois, é que vai se chegar à conclusão se tem ou não prova suficiente para se instaurar a ação penal", observou o ministro do STJ.

Vidigal defendeu ainda que os partidos políticos busquem integrantes mais experientes no exercício do Direito. Diante das críticas de Edson Vidigal ao trabalho dos parlamentares nas CPIs em curso no país, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, afirmou que, no Brasil, investiga-se mal e "em favor da impunidade". Isso ocorre, segundo ele, porque no início das investigações não há o trabalho conjunto do Ministério Público, da polícia e do juizado. Renan afirmou que tem dado força para que os parlamentares investiguem "eliminando" etapas.