Alencar discutiu exaustivamente as
críticas do PL contra o governo Lula.

Brasília – O presidente do PL, Waldemar Costa Neto (SP) afirmou que o vice-presidente, José Alencar, ajudou a elaborar o documento apresentado ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva com críticas à política econômica e sugerindo mudanças. Costa Neto, esteve com Alencar anteontem, das 17hs às 19h30, para fechar o texto do documento.

Perguntado até quando o partido iria criticar o governo, Waldemar respondeu: ” Até quando precisar. Não vamos mudar nossa proposta de campanha”. O presidente do PL disse que o partido quer que o País vá para frente e está ajudando o governo ao apresentar o documento. Recentemente, Waldemar pediu a saída do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e de Meirelles, mas depois voltou atrás e pediu desculpas.

Mas ontem, Costa Neto afirmou que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, seria “sabotador” de mudanças na política econômica vigente, como as defendidas pelo partido. “O principal sabotador é o presidente do Banco Central”, afirmou Costa Neto. “Ele só fez a vida inteira ser banqueiro, ele tinha que ser empregado não é no Banco Central… ele teria que trabalhar no Bradesco ou no Itaú”, acrescentou.

Antes da entrevista, Costa Neto divulgou documento de seu partido, encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com duras críticas à política econômica. Costa Neto afirmou que discutiu exaustivamente os pontos do manifesto com o vice-presidente José Alencar, membro do partido. O partido aliado do governo pede redução drástica na taxa de juros, atualmente em 16 por cento ao ano, aumento do investimento do Estado e controle de capitais. A divulgação da carta acontece na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

O partido prega uma economia centrada “na produção e não na especulação”. Segundo o PL, o que justifica a mudança é “a mais grave crise social da história (do Brasil)”, com desemprego, subemprego e marginalização social em “taxas sem precedentes”.

Os exemplos a serem seguidos na geração de empregos, segundo o PL, são o New Deal e os programas do pós-guerra nos países industrializados. O New Deal (novo acordo) foi o programa de reformas e combate ao desemprego implantado em 1933 pelo presidente Franklin Roosevelt, após a grande depressão econômica de 1929, nos EUA.

O partido alerta que “uma política de pleno emprego desagradará os especuladores e os financistas que se beneficiam da liberdade sem limite dos fluxos de capitais”. Sugere, como saída, enfrentar os especuladores.