O papa Bento XVI parece estar prestes a romper um tabu histórico da Igreja Católica. Vaticanistas italianos acreditam que em breve ele deve aprovar o uso de preservativos ao menos dentro do casamento, caso um dos parceiros esteja contaminado com o vírus da aids.
De acordo com a agência BBC Brasil, o cardeal Javier Lozano Barragán, presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral da Saúde e responsável por fazer um levantamento sobre os aspectos morais e científicos do uso dos preservativos – além de analisar o impacto da doença no mundo -, já entregou o documento ao Vaticano.
A pesquisa foi encomendada em abril de 2006 pelo papa. Historicamente, a Santa Sé proíbe que os católicos usem qualquer método contraceptivo, e a regra se estende à proteção contra o HIV. A Igreja defende a chamada ?paternidade responsável? – abstenção das relações conjugais durante os períodos férteis – para o controle de natalidade. Para combater a aids, recomenda fidelidade e abstinência sexual.
Ainda de acordo com a BBC, citando a revista italiana L?Espresso, o conteúdo do estudo é uma ?verdadeira bomba?. De tão polêmico, especula-se que provavelmente nunca será publicado ou discutido na sua totalidade.
O vaticanista Sandro Magister explica na revista que a eventual decisão da Igreja não derrubará sua doutrina atual. ?O consentimento será apenas para o caso concreto no casamento, com a intenção de proteger o parceiro saudável. Não tem nenhum sentido o Vaticano autorizar o uso de preservativos em sexo fora do casamento porque ele não é consentido.?


