O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) divulgou nota nesta terça-feira (22) esclarecendo que o fim da greve da categoria, iniciada em 18 de março, depende "da boa vontade do governo". Segundo a nota assinada pelo presidente do Unafisco, Pedro Delarue, o governo precisa ceder pouco para alcançar propostas compatíveis com as reivindicações dos auditores. "A categoria entende que, a depender da boa vontade do governo, estão colocadas as condições para um entendimento. Afinal, no momento a solução não depende apenas dos auditores fiscais, que ao longo de oito meses sempre estiveram à disposição para negociar", diz o documento.

A assessoria de imprensa do sindicato informou que a categoria não aceitará a proposta apresentada pelo governo na terça-feira da semana passada e já rejeitada em assembléia na última sexta-feira (18). A diretoria do Unafisco também é "completamente contrária" a um acordo nos termos apresentados pelo governo. Os auditores estão organizando um ato público a partir das 9 horas, na quinta-feira, em frente ao Ministério do Planejamento. Também estarão no Congresso Nacional para fazer um corpo a corpo com parlamentares para tentarem ganhar o apoio dos congressistas.

Ao afirmar que falta pouco para um acordo, o Unafisco cita como exemplo a questão salarial. O governo ofereceu apenas R$ 450,00 a menos para o teto salarial do que o apresentado na proposta original negociada no ano passado, antes do fim da CPMF. Mas o ponto considerado mais relevante pelos auditores é o cronograma de implementação. Nele, o governo retardou em 15 meses o prazo para a implementação total dos reajustes programas ao longo de três anos. "O cronograma para a implantação do reajuste também tem levado ao atraso na resolução das negociações. O governo insiste em um calendário de reajustes com término em julho de 2010, enquanto os auditores fiscais reivindicam que a data final seja abril de 2009", esclarece a nota.

O sindicato ainda negocia outros pontos como as alterações na forma de avaliação do desempenho dos auditores fiscais para promoção na carreira. A proposta do governo não tem aceitação da categoria que considera os critérios suscetíveis à atuação política. O Unafisco quer discutir este assunto fora do âmbito salarial e que seja observada a impessoalidade nos critérios de avaliação. O sindicato também quer a reclassificação de auditores em classes iniciais para padrões intermediários desocupados na tabela remuneratória. Segundo o Unafisco, o governo já tinha aceitado em negociações anteriores, mas retirou da proposta na última reunião.