Traficantes abriram fogo contra soldados da Brigada de Infantaria e Paraquedistas do Exército na manhã deste sábado, justamente quando o general de brigada Fernando Sardemberg caminhava com a tropa pela rua Paranhos, no Complexo do Alemão. O conjunto de favelas está cercado pelas forças policiais desde ontem. Dois tiros de fuzil foram disparados do alto do morro. Ninguém foi atingido. No segundo disparo, o general se preparava para cruzar a Travessa Laurinda.

De imediato, os fuzileiros fizeram a proteção do comandante que, naquele momento, falava ao telefone. Imediatamente Sardemberg repôs o capacete e se armou de um fuzil. Ele quis saber de onde tinham vindo os disparos. “Veio lá de cima? Isso não é bom”. Os soldados se colocaram em posição de mira, mas não responderam aos disparos.

De acordo com Sardemberg, a noite e a madrugada foram tensas no cerco à favela. “Atiraram até com balas traçantes”, afirmou. Segundo ele, todos os acessos do complexo estão tomados por 800 homens de três batalhões da Brigada de Infantaria e Paraquedistas do Exército. “Controlamos a entrada e a saída, garantindo o direito de ir e vir.” Na sua avaliação, os traficantes estão bem armados. “Poder de combate eles têm. O problema é que essas armas estão nas mãos de uma garotada, o que torna a situação mais complexa.”

O general disse que o cerco não tem prazo para acabar. “Só quando a situação de definir.” Durante a noite, houve tiroteio intenso nas áreas sob cerco. Vários disparos foram feitos contra as forças policiais na rua Paranhos. Os soldados deram tiros nas lâmpadas dos postes para se proteger dos disparos no escuro e responderam ao fogo.

A aposentada Maria Francisca das Graças, de 72 anos, disse que não conseguiu dormir com o tiroteio. “Estou doente e ainda tive de me jogar no chão.” Durante a manhã, houve correria e gritos quando um blindado Cascavel avançou em velocidade pela rua Paranhos, com fuzileiros em posição de tiro. Mulheres e crianças se abrigaram sob o toldo de bares. Alguns moradores reclamavam em voz alta contra o bloqueio. As ruas foram fechadas com blocos de concreto. O comerciante José Erivaldo da Silva não conseguia sair com o carro, pois sua garagem estava bloqueada. “Eu preciso trabalhar, tenho entregas para fazer.”