O ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmou, na manhã desta terça-feira, 20, que os mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro deverão conter vários nomes e múltiplos endereços. Ele justificou que as regiões de conflito possuem “singularidades”.

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“As zonas de conflito no Rio de Janeiro têm urbanização precária, os endereços não são todos facilmente localizáveis. Sendo assim, é possível que os pedidos sejam feitos com base em posições de GPS (sistema de posicionamento global na sigla em inglês) e descrevendo áreas das comunidades”, declarou durante reunião no Tribunal de Justiça do Estado.

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Acompanhado da advogada-geral da União, Grace Mendonça, e do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, Jardim esteve nesta terça com o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Milton Fernandes de Souza, e com o presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, André Fontes. O grupo tratou das questões jurídicas envolvidas na intervenção sobre a segurança pública do Estado do Rio.

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O ministro da Justiça afirmou que criminosos usam a violência para esconder drogas e armas nas casas de moradores das comunidades pobres. “Eles transformam as casas em armazéns do crime contra a vontade dos cidadãos. O Estado precisa agir para acabar com isso”, falou.

A defesa da necessidade de mandados coletivos nas operações foi apresentada pelo comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Boas, na reunião dos Conselhos de Defesa Nacional e da República, comandada pelo presidente Michel Temer, na segunda, no Palácio a Alvorada e encampada pelo governo federal. O tema é polêmico e já foi alvo de discussão de vários setores da sociedade e da Justiça.

Bastidores

No encontro desta terça, segundo a reportagem apurou, todos os presentes concordaram com a necessidade de que as medidas são necessárias para combater o crime mas que têm de ser realizadas, de fato, caso a caso, como sempre aconteceu. O objetivo, segundo um dos ministros presentes, “não era discutir se vale ou não vale mandado coletivo, mas sobre como preservar direitos e garantias nesta nova realidade ditada pelo crime organizado”.

Para o governo, não houve recuo de decisão. O Planalto entende que os mandados coletivos para busca e apreensão são necessários para as operações e eles serão apresentados à Justiça, a cada nova investida contra o crime, se este for o caminho da ação a ser deflagrada. O fato de ser caso a caso, explicou a fonte, “é óbvio, por ser um princípio jurídico”. Por isso, a cada operação, será apresentado um pedido. O TJ ficou de analisar a questão de acordo com a situação e a sua fundamentação.

Os ministros “pegaram carona” no voo do presidente Michel Temer ao Rio. Temer seguiu para Itaguaí, onde visitou a unidade da Marinha e estes três ministros foram para a reunião no TJ-RJ. Depois dos compromissos distintos, voltaram a discutir a questão no voo de volta do Rio para Brasília.

O presidente Temer está focado na questão da segurança, neste momento, e dará todo o apoio necessário ao general Braga Netto, nomeado por ele como interventor, para conduzir o processo. Temer já teve pelo menos duas reuniões com o general e pretende fazer outras mais para discutir qualquer questão que o militar achar necessária.