Após receber denúncia de supostas irregularidades em 120 ações judiciais contra operadoras de saúde para realização de cirurgias de hérnia de disco, a Corregedoria-Geral da Justiça de São Paulo emitiu um alerta para que os juízes do Tribunal de Justiça sejam cautelosos ao analisar processos referentes a casos semelhantes.

continua após a publicidade

Os processos foram encaminhados ao recém-criado Núcleo de Monitoramento de Perfis de Demanda (Numopede) por um advogado que defendia o caso de uma operadora de saúde, cujo nome não foi divulgado. As ações provocaram desconfiança por conter uma série de semelhanças.

continua após a publicidade

“Nesse caso específico, boa parte dos casos tinha os mesmos escritórios (de advocacia), mesmos médicos e os mesmos relatos em varas diferentes. Tudo com muita semelhança, o que chamou a atenção. Por enquanto, são distribuições atípicas. É uma luz amarela que acende para a gente”, explica Leandro Galluzzi, juiz assessor da corregedoria e integrante do Numopede.

continua após a publicidade

Maria Rita Rebello Pinho Dias, juíza assessora da corregedoria que também integra o núcleo, informou que a denúncia chegou há um mês e foi uma das primeiras recebidas pelo Numopede. Na varredura feita, o núcleo encontrou três advogados, três médicos e três fornecedores de equipamentos de alto custo que apareciam com mais frequência nas ações. Os materiais fornecidos eram próteses para cirurgia de hérnia de disco.

“Nosso foco é dar conhecimento aos juízes, mas não investigar se houve ou não a fraude, porque não é a nossa função. Mas o resultado é imediato, quando o magistrado recebe a ação, já sabe que precisa ser mais cauteloso.”

Entidades

Os juízes do núcleo disseram que encaminharam ofício para a Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo (OAB-SP), para o Ministério Público Estadual (MPE) e para o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) com informações sobre o caso. O MPE informou que aguarda notificação para poder se posicionar sobre as denúncias. A reportagem entrou em contato com a OAB-SP e o Cremesp, mas as entidades não se manifestaram até as 20 horas.

“Queremos evitar a cooptação do Judiciário para que ele, eventualmente, não seja usado como objeto nas ações. Vamos dar conhecimento aos magistrados e aos órgãos competentes para que eles atuem e percebam que isso pode ser a ponta do iceberg”, diz Ana Rita de Figueiredo Nery, juíza assessora da corregedoria e do núcleo.

Prejuízo

Diretor da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Pedro Ramos diz que ações que contêm irregularidades trazem prejuízos não só para as operadoras de saúde, mas para o Poder Judiciário e para os pacientes. “Está acontecendo uma judicialização indevida. Há escritórios de advocacia e hospitais que forjam a necessidade de fazer cirurgias. Esses procedimentos desnecessários causam sofrimento para as pessoas.”

Ramos diz que, na próxima semana, a associação vai se colocar à disposição do Tribunal de Justiça para contribuir com a apuração dos 120 casos apresentados na denúncia. “A maneira de coibir isso é saber quem são essas pessoas. Vamos oferecer a proposta de submeter todos esses casos a uma junta médica isenta para que os pacientes sejam reexaminados.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.