São Paulo (AE) – Nos últimos cinco anos, pelo menos oito doentes de esclerose múltipla – de um grupo de 60 – morreram no Brasil em decorrência de tratamentos experimentais com células-tronco humanas. Os casos, segundo um levantamento, ocorreram em São Paulo, Ribeirão Preto (SP) e Curitiba. Com a esclerose em estágio progressivo, as vítimas acabariam morrendo de qualquer forma. Mas o fim acabou acelerado pela terapia experimental, que se baseia na destruição do sistema imunológico. Isso fez com que ficassem indefesos diante de infecções fatais.

Essas mortes não chegam a ser um balde de água fria sobre a esperança de doentes com males incuráveis. Mas, diante da farta propaganda em torno de casos isolados de voluntários que responderam bem às células-tronco, servem para alertar que a nova terapia continua limitada aos laboratórios científicos, longe de ser oferecida nos hospitais. ?Pode até ser no hospital, mas o doente é uma cobaia. E, como tal, corre todos os riscos de um procedimento que é experimental?, explica a farmacêutica Patrícia Pranke, professora de Hematologia e Células-Tronco da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).

Encontradas nos ossos e no cordão umbilical, por exemplo, as células-tronco são como curingas e, na teoria, podem substituir qualquer estrutura danificada do corpo humano.