Porto Alegre – Impedidos pela Justiça de marchar entre os quilômetros 390 e 409 da BR-290, em Santa Margarida do Sul (RS), tanto o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) quanto os ruralistas da região de São Gabriel aproveitaram o dia de ontem para promover manifestações nos locais onde seus grupos pararam na noite de segunda-feira. Os dois lados demonstraram que seguem mobilizados e que estão preparados para retomar as provocações a qualquer momento. Um novo momento de tensão já está programado para sábado, quando a Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Rio Grande do Sul promete levar sindicalistas de todo o Estado para um ato público de apoio aos sem-terra no centro de São Gabriel.

Assim como fez quando soube que o MST iniciou a marcha para a cidade, há dois meses, e quando a coluna se aproximou de São Gabriel, nesta semana, o prefeito Rossano Dotto Gonçalves (PDT), vai tentar barrar a iniciativa da CUT na Justiça. Contra o MST, ele conseguiu um interdito proibitório, que impediria o movimento de ocupar espaços públicos, e, na segunda-feira, o “congelamento” da marcha antes que ela chegasse à cidade.

Os 800 participantes da marcha do MST esperam se somar aos manifestantes da CUT até sábado. Nesta quarta-feira os advogados da organização vão encaminhar recurso ao Tribunal Regional Federal para tentar cassar a liminar do juiz Loraci Flores de Lima e retomar a marcha. “Se existe beligerância e estímulo ao conflito isso não é de quem anda à margem da rodovia há dois meses”, alega a advogada Soraia Mendes.

Apesar de avisados pela Polícia Rodoviária Federal e pela Brigada Militar (a Polícia Militar gaúcha) de que o juiz da 2.ª Vara Federal de Santa Maria havia determinado que a marcha não poderia avançar além do quilômetro 390, onde estavam na noite de segunda-feira, os sem-terra chegaram a se postar na rodovia para avançar nesta terça-feira. Só aceitaram ficar parados depois de notificados oficialmente da decisão por um oficial de Justiça enviado às pressas de Santa Maria.

A situação é tensa também no Mato Grosso. Trabalhadores rurais fizeram ontem três bloqueios em duas rodovias federais nas regiões Sul e Oeste de Mato Grosso e invadiram a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Cuiabá. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) interditou dois trechos da BR-364 entre Jangada e Várzea Grande, e entre Rondonópolis e Pedra Preta, além da BR-174, que liga Cáceres (MT) a Porto Velho (RO), retendo ônibus de passageiros e ambulâncias. Em Cuiabá, 250 famílias de um grupo dissidente do MST, o MTA, invadiram o prédio do Incra pela terceira vez este ano.