Taxistas fazem manifestação diante da Câmara Municipal de São Paulo, na região central, na manhã desta quarta-feira, 9, para pressionar os vereadores a aprovar o projeto de lei que proíbe o aplicativo Uber na capital. Uma das pistas do Viaduto Jacareí foi interditada com carros estacionados em frente ao prédio, à espera de comboios que saem de outras partes de São Paulo. São esperados, segundo os organizadores, cerca de 5 mil profissionais. Taxistas de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná se juntam ao grupo.

Às 15h desta quarta, os vereadores votam o projeto que torna ilegal o serviço de aplicativos que concorre com os táxis. Após a votação, os taxistas prometem ir ao prédio da Prefeitura, no Viaduto do Chá, para pressionar o prefeito Fernando Haddad (PT) a sancionar a lei.

Os primeiros taxistas chegaram à Câmara às 9h30. Por volta das 10h, havia 50 carros estacionados no Viaduto Jacareí. Os motoristas usam vuvuzelas, rojões e bandeiras da Força Sindical para protestar. A categoria reclama de concorrência desleal, perda de passageiros para o Uber e ilegalidade dos motoristas que utilizam o aplicativo, além de pedir mais “espaço” para os taxistas.

“Tinha que ter mais alvarás para táxis, profissionalizar o setor. Tem muito motorista aguardando espaço para trabalhar. O Uber não tem interesse em se legalizar. Eles não pagam os impostos que a gente paga”, afirmou o motorista Waldir Padilha, de 59 anos, desde 1976 na praça.

Segundo Padilha, legalizar o Uber vai colocar mais veículos nas ruas, aumentando os congestionamentos.

Postura

Para Antônio Matias, o “Ceará”, presidente do Sindicato dos Motoristas nas Empresas de Táxis no Estado de São Paulo (Simtetaxis-SP), a disputa com o Uber trouxe uma “lição positiva” para a categoria: ouvir mais os passageiros de táxi. “Tivemos uma lição excelente, mostrando que a sociedade tem razão ao buscar a livre concorrência.”

“Ceará” defende que o poder público ofereça cursos de reciclagem para os taxistas. Hoje, um motorista de táxi tem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e o Condutax suspensos quando acumulam 21 pontos em infrações de trânsito.

O presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo (Simtetaxis- SP), Natalício Bezerra, está confiante na aprovação do projeto de lei que quer proibir o Uber em São Paulo. Na primeira votação, em junho, foram 48 votos a favor e um contra. “Acredito que será votado. Mesmo que não tenha os 48 votos, mesmo que tenha menos, se for aprovado está tudo bem. Aí vai para a sanção do prefeito”, afirmou.

Segundo estimativa do sindicato, o aplicativo prejudica os taxistas em 20%. “Se deixar ficar escancarado, (o Uber) vai fazer concorrência desleal e injusta porque não estão autorizados para isso”, disse.

Bezerra não soube informar o número de taxistas no ato e nega que o evento seja um protesto. “É a demonstração de insatisfação dos taxistas com esse aplicativo”, explicou. A orientação aos participantes do ato, de acordo com o presidente do SinditaxiSP, é “não deixar os pontos de táxi desguarnecidos”.

Compartilhamento

O vereador José Police Neto (PSD) foi o único parlamentar a votar contra o projeto de lei de Adilson Amadeu (PTB) na primeira votação, em junho. Police Neto repetirá o voto contrário na tarde desta quarta-feira. O vereador apresentou um PL para regulamentar o compartilhamento de veículos na capital e defende que o Uber é uma “inovação em mobilidade”.

“Não podemos simplesmente dizer não às novas tecnologias e vetá-las. Precisamos discuti-las e regulamentá-las. Enquanto o mundo discute o compartilhamento de veículos, a maior cidade do Brasil vai regredir em mobilidade. Seria lamentável se isso ocorresse”, afirmou.

O PL proíbe o transporte remunerado de pessoas em veículos particulares cadastrados no Uber na capital. O vereador destaca que o projeto vai barrar outras empresas de compartilhamento de veículos, como ZazCar, Fleety, Caronetas, entre outros.