Tarso Genro vê nexo no caso Jango, mas sem ação de Geisel

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que várias das informações que o ex-funcionário do serviço de inteligência uruguaio Mário Neira Barreiro prestou à Polícia Federal nesta semana sobre a morte do ex-presidente brasileiro João Goulart "têm nexo com a realidade", mas descartou a possibilidade de que a ordem para um atentado tenha partido de outro ex-presidente, Ernesto Geisel. "O próprio depoente praticamente exclui essa possibilidade, que é mais uma fantasia", ressaltou Tarso, em breve entrevista coletiva ao final do lançamento da Operação Carnaval da Polícia Rodoviária Federal, em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, no início da noite desta sexta-feira (1.º).

Barreiro está preso há nove anos na penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (RS) por tráfico de armas, roubo de carro-forte e falsidade ideológica, e desde o ano 2000 vem afirmando em sucessivas entrevistas que Goulart foi morto por envenenamento a mando do regime militar brasileiro, especificamente do governo Geisel. Oficialmente, a morte, ocorrida no dia 6 de dezembro de 1976, é atribuída a um enfarte. Nesta semana, a pedido de Tarso, a Polícia Federal tomou depoimento do uruguaio para analisar as informações e verificar se há indícios que justifiquem a abertura de um inquérito para esclarecer o caso.

Tarso ouviu a transcrição do depoimento junto com o diretor-geral do Departamento de Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. Embora não tenha entrado em detalhes, o ministro disse que a Polícia Federal seguirá fazendo uma investigação preliminar, para checar as informações de Barreiro e, se elas forem verdadeiras, abrir o inquérito.

"O depoimento tem muita coisa que eu sei que é verdadeira", comentou Tarso, referindo-se às descrições que Barreiro fez sobre a vida que Goulart levava no exílio, coincidentes com o que ele mesmo viu quando passou um mês, como exilado, na fazenda do ex-presidente no Uruguai nos anos 70. Segundo Tarso, Goulart não tinha nenhuma precaução com sua segurança e costumava receber muitos visitantes com quem negociava gado ou conversava sobre política.

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