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Suzano: filho de coordenadora morta pede que alunos ‘continuem no caminho do bem’

  • Por Estadão Conteúdo

O engenheiro Vinicius Umezu foi à Escola Estadual Professor Raul Brasil na manhã de terça-feira, 19, para dar apoio aos estudantes que participaram do primeiro dia de atividades abertas de acolhimento na instituição – alvo de ataques de dois atiradores na semana passada. Ele é um dos filhos da coordenadora escolar Marilena Umezu, de 59 anos, uma das oito vítimas fatais do massacre ocorrido em Suzano, cidade da Grande São Paulo.

“A nossa intenção foi dar um apoio, porque nós sentimos muito dó das crianças que estavam lá. Inclusive no velório da minha mãe, eu conversei com várias crianças tentando dar o maior apoio possível para que elas não desistam. Então eu acho que mostrando a nossa imagem, mostrando que nós, que perdemos a nossa mães, estamos lá junto com eles, poderia dar uma força maior. A nossa maior esperança – e com certeza era da minha mãe também – é que as crianças continuem no caminho do bem.”, disse.

Umezu e demais familiares devem participar da missa de sétimo dia da coordenadora na noite desta quarta-feira, 20. “O feedback está sendo totalmente positivo. Cada pessoa que a gente ganha um abraço faz um elogio diferente, conta de como era a minha mãe. Até o momento, a quantidade de manifestações de apoio, de toda parte, sempre elogiando, falando que a minha mãe era uma pessoa diferente. Então a minha família fica muito com esse tipo de apoio. É um momento difícil, nós sabemos que é. Foi uma tragédia, foi, mas a família – acho que até pela preparação que a minha mãe deu para nós – é forte para seguir lutando, não desistir. Porque eu acho que ela não ficaria feliz se, nesse momento, nós desistíssimos de tudo.”

O engenheiro conta que a Raul Brasil foi a primeira escola em que Marilena trabalhou após ter se formado em Filosofia há menos de 10 anos. “Ela tinha só até a quinta série. Em 2005, ela resolveu fazer supletivo. Aí ela fez o ensino fundamental, o ensino médio e entrou na faculdade em 2007 e se formou no final de 2009, aí que começou a trabalhar, com quase 50 anos. Foi um evento para nós”, conta.

“O sonho dela era estudar. Eu acho que essa situação de virar professora e chegar na coordenação – e agora ela estava fazendo outra faculdade, de Pedagogia – foi uma consequência. Mas o sonho dela era de terminar os estudos. Só que para isso, antes de pensar nela, ela pensou nos três filhos. E ela conseguiu, ela venceu.”

Sobre o rapaz que teria participado do planejamento dos ataques, Umezu diz que espera que ele responda criminalmente. “Não deve ser tratado como criança. Acho que, com essa idade, já sabe muito bem o que está fazendo”, disse. “Em nenhum momento até agora a gente teve raiva das pessoas que fizeram, raiva das famílias dessas pessoas. Mas o que eu particularmente penso é que criança ele não é. Então, a acho que deveriam olhar de uma maneira diferente.”

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