A Controladoria-Geral do Município (CGM) de São Paulo publica nesta terça-feira, 27, no Diário Oficial da Cidade a suspensão do ex-subsecretário de Arrecadação da Prefeitura Arnaldo Augusto Pereira, que chefiou o também ex-subsecretário Ronilson Bezerra Rodrigues, tido como líder da Máfia do Imposto sobre Serviços (ISS). Pereira pode ser demitido ao fim do processo disciplinar, também instaurado nesta terça.

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As investigações da Prefeitura e do Ministério Público Estadual (MPE) apontam que Pereira chegou a receber entre R$ 60 mil e R$ 80 mil por semana da Máfia do ISS entre 2006 e 2009, período em que os acusados do esquema se reportavam a ele, na primeira gestão de Gilberto Kassab (PSD).

O auditor é tido como o primeiro ocupante de cargo comissionado – indicação política – a saber de detalhes dos esquemas de corrupção de fiscais da Secretaria Municipal de Finanças. Assim, segundo as investigações, ele também foi o primeiro a organizar uma arrecadação centralizada de propina com um esquema de distribuição do dinheiro recolhido pelos fiscais.

Em uma gravação feita pelo auditor Luís Alexandre Cardoso de Magalhães, ex-delator do esquema, Ronilson conta que ele e Pereira buscaram se aproximar de integrantes da campanha de José Serra (PSDB), então candidato a prefeito que tinha Kassab como vice na chapa, por meio de cabos eleitorais de Kassab na zona leste da cidade. Após a campanha, entretanto, apenas Pereira obteve cargo comissionado.

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Ele deixou a Prefeitura em 2009 para assumir um cargo na prefeitura de Santo André (Grande SP) – onde foi secretário de duas pastas: Planejamento e Orçamento Participativo e Saúde. Na última, segundo depoimentos colhidos pelo MPE, desviou recursos da compra de remédios.

Pereira levou Ronilson consigo, segundo as investigações. Ronilson voltou a São Paulo, ainda segundo o MPE e a CGM, depois de ajudar Kassab a barrar a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigaria a merenda escolar. O ex-prefeito, atual ministro das Cidades, negou as informações, que partiram do depoimento de outro fiscal da máfia, Eduardo Barcellos.

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Suspensão

A suspensão de Pereira tem prazo de 120 dias. Ele responderá a processo administrativo durante esse período.

Em 2013, quando o esquema da Máfia do ISS foi descoberto, Pereira chegou a ser ouvido em procedimento da CGM, que apurava a existência de um patrimônio incompatível com sua renda. Denúncias anônimas contra o fiscal diziam que era dono de imóveis no Nordeste e na Europa.

O auditor chegou a fazer retificações em sua declaração de bens, mas teria, segundo as investigações, colocado sua casa, avaliada em R$ 5 milhões, no nome da mãe para ocultá-la. O imóvel fica na Granja Julieta, zona sul da capital.

A reportagem não localizou Pereira nem conseguiu identificar nenhum advogado que o defendesse das acusações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.