Ninguém foi poupado. Todos os 40 denunciados pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, no escândalo do mensalão começam a responder agora por crimes como formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, peculato e gestão fraudulenta. A lista dos réus definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) inclui os petistas José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e Sílvio Pereira, acusados de formar uma quadrilha que distribuiu pelo menos R$ 55 milhões entre aliados em troca de apoio ao governo. À exceção de Sílvio, o chamado ?núcleo político? também responderá pela suposta prática de corrupção ativa.

Depois de um julgamento de 35 horas, em cinco dias de sessões, o Supremo ainda abriu processo contra os núcleos "financeiro e publicitário? da ?organização criminosa?, integrados pelo empresário Marcos Valério, três sócios dele e quatro dirigentes do Banco Rural.

Todos respondem por formação de quadrilha. O grupo teria prestado o serviço de distribuir o dinheiro do esquema a políticos – entre eles os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB-RJ), Pedro Corrêa (PP-PE), José Janene (PP-PR) e José Borba (PMDB) e os deputados João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP). Os parlamentares e ex-parlamentares estão na relação de réus, assim como Luiz Gushiken e Anderson Adauto, dois ex-ministros do primeiro governo Lula.

Na leitura de seu voto, o ministro relator, Joaquim Barbosa, qualificou Dirceu de ?chefe incontestável? do esquema. Disse ter pedido a abertura de ação contra o ex-ministro com base em depoimentos, como os de Jefferson, que denunciou o esquema, e de Renilda Santiago, mulher de Marcos Valério. ?Admito que há prova mínima de que ele era o mentor supremo da trama e outras pessoas eram meras coadjuvantes?, disse. ?Ele merece ser investigado.? As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.